Empresário é sequestrado e assassinado por dois “amigos”
10/06/2026 às 21:16 Polícia
Um empresário de 50 anos teve o sequestro e assassinato planejados por ‘amigos’ próximos que, entre outras coisas, queriam a reserva financeira da vítima e, ainda, ficar com o valor de um seguro dele. Isso foi o que apontou a investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) na apuração da morte de Cristiano Barbosa da Silva, empresário encontrado sem vida no dia 15 de maio deste ano, na estrada do Gaia, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A vítima, que estava desaparecida desde o dia 20 de abril, foi encontrada em avançado estado de decomposição e com sinais de asfixia.
Segundo a Polícia Civil, dois amigos da vítima, identificados como Eloísio e Fernando, planejaram o crime para roubar o empresário e se apropriar de um seguro de vida.
"É um crime de desaparecimento que, desde o início, a gente já percebeu que ele tinha uma ação violenta e criminosa. E se converteu no crime de latrocínio, além de outros crimes também envolvidos, como tortura, sequestro, incêndio, ocultação de cadáver e fraude processual", afirmou o delegado Alexandre Fonseca.
Os investigadores apontaram que os amigos tinham raiva de Cristiano por motivos diferentes.
Eloísio foi quem deu a ideia do crime. Cristiano ficou sabendo que ele havia abusado de uma enteada e espalhou a informação para outros amigos.
Além disso, o empresário devia R$ 50 mil a Eloísio por conta da compra de uma moto. Como garantia da dívida, Cristiano fez um seguro de vida, avaliado em R$ 200 mil, em nome de um parente do amigo.
Segundo o delegado Alexandre Fonseca, Cristiano considerava Eloísio como "um pai". Eles eram amigos há décadas.
O segundo investigado, Fernando, suspeitava que a namorada o traía com Cristiano. Apesar do relacionamento extraconjugal não ter sido comprovado, a Polícia Civil aponta que a causa da raiva do amigo pela vítima era ciúmes.
Além disso, Fernando sabia que o empresário tinha dinheiro na conta, pois havia acabado de vender uma motocicleta Honda CB1000.
A investigação apontou que Eloísio foi quem fez a proposta do crime e sugeriu a repartição do dinheiro.
Na noite de 19 de abril, Fernando buscou um homem e um adolescente no bairro Jardim Alvorada, na Região da Pampulha, e os levou para as proximidades da casa do empresário.
Fernando foi à hamburgueria da vítima, esperou o último motoboy ir embora e deu um sinal para os assassinos contratados se prepararem para o sequestro.
Quando Cristiano entrou em casa, foi dominado e colocado dentro do carro dele, um Volkswagen Polo Preto. Isso aconteceu às 0h40 de 20 de abril.
Os autores passaram a madrugada e o início da manhã com Cristiano dentro do carro. Os criminosos transitaram com a vítima pela Grande BH, e o levaram para lugares como o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, Santa Luzia e Esmeraldas.
Por volta das 3h, o grupo retornou ao bairro São João Batista, busca a filha do empresário, de 9 anos, e a colocou no carro.
Durante a madrugada, os assassinos conseguiram realizar uma transferência de R$ 40 mil. No entanto, o valor ficou bloqueado até às 6h.
Quando o dinheiro caiu na conta, os autores resolveram matar a vítima. Cristiano foi levado para uma estrada rural em Sabará, onde foi executado e teve o corpo ocultado. A filha dele estava no carro e testemunhou o homicídio.
Depois do assassinato, os criminosos levaram a criança para a casa da mãe dela. Por também ter sido vítima de violências e ameaçada de morte, a menina, inicialmente, não contou a verdade dos fatos.
Amigos de Cristiano estranharam o sumiço do empresário, procuraram uma delegacia e registraram um boletim de ocorrência.
Logo após a Polícia Civil registrar o desaparecimento, Fernando vendeu o celular da vítima e fugiu para Anápolis, em Goiás. Ele foi localizado e preso, no dia 1º de maio, em Brasília.
Fernando confessou o crime, indicou o local onde o corpo foi ocultado e falou da participação de Eloísio na trama, que foi preso na última quinta-feira (4).
Um dos assassinos contratados para o crime foi detido nesse domingo (7) no bairro Jardim Alvorada. O outro é um adolescente, de 15 anos, que continua solto.
"A gente tem um enredo dos piores filmes de terror. Tudo o que vocês podem imaginar ocorreu dentro dessa cena criminosa", afirmou o delegado Júlio Wilke, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
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da Redação