
Parlamentar é condenado a mais de 30 anos de prisão

12/06/2026 às 14:00 Direito e Justiça

O vereador Eduardo de Lara (Republicanos), afastado da presidência da Câmara Municipal de Iguape, no litoral sul de São Paulo, foi condenado a 33 anos de prisão em regime fechado pelo crime de concussão. A Justiça entendeu que ele comandou um esquema de rachadinha em seu gabinete e também determinou o pagamento de R$ 200 mil por danos morais coletivos.
Apesar da condenação, o parlamentar poderá recorrer em liberdade, desde que cumpra medidas cautelares, como comparecer ao fórum a cada três meses para informar suas atividades. O afastamento do cargo de vereador permanece em vigor durante a tramitação do processo.

De acordo com as investigações, servidores do gabinete eram obrigados a repassar mensalmente parte dos salários para manter seus cargos. Os valores variavam entre R$ 1 mil e R$ 2,8 mil e, na maioria das vezes, eram entregues em dinheiro logo após o pagamento dos vencimentos. Em alguns casos, as quantias eram transferidas para contas de familiares ou pessoas ligadas ao vereador.
O Ministério Público apontou que pelo menos dez servidores foram vítimas do esquema. Conforme a denúncia, a prática movimentou ao menos R$ 202,4 mil, valor comprovado por meio de extratos bancários, registros de transferências e planilhas anexadas aos autos.
A investigação também reuniu depoimentos de vítimas, documentos financeiros e mensagens eletrônicas que detalham a cobrança dos repasses. Algumas testemunhas relataram que demoraram a procurar as autoridades por medo de represálias e de perder o emprego.
Segundo a sentença, também houve tentativa de interferência na produção de provas, com a orientação para que servidores negassem a existência dos repasses durante as investigações.
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