Peru: Quando a matemática incomoda mais que a ideologia

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O CENÁRIO ELEITORAL

Com mais de 98% das urnas apuradas, o Peru vive uma disputa voto a voto. 

- Keiko Fujimori aparece ligeiramente à frente, com cerca de 50,003% dos votos. 

- Roberto Sánchez segue logo atrás, com 49,997%. 

- A diferença é mínima: pouco mais de mil votos. 

- O fator decisivo foi o voto no exterior, onde Keiko obteve 63,4% contra 36,5% de Sánchez. 

Esse detalhe explica a virada: Sánchez não conseguiu prever o peso dos votos externos, e sua força interna não compensou a diferença obtida fora do país. 

A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL NO PERU AINDA EXIGE PRUDÊNCIA.

O resultado oficial deve ser aguardado, especialmente diante de uma disputa extremamente apertada entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez.

Mas uma coisa já parece evidente: a eleição peruana deixou de ser apenas uma disputa entre direita e esquerda. Passou a ser também uma disputa sobre confiança, contagem de votos e respeito às regras do jogo.

Segundo as apurações preliminares, os votos do exterior passaram a ter peso decisivo na reta final da contagem. E justamente aí começou a reação mais intensa da candidatura adversária.

Quando o voto interno parecia favorecer Sánchez, a narrativa parecia confortável. Mas, à medida que os votos de peruanos residentes fora do país passaram a reduzir a diferença e favorecer Keiko, surgiram questionamentos, contestações e pedidos de revisão.

O Peru talvez esteja mostrando algo maior do que uma eleição apertada.

Talvez esteja mostrando o desgaste de um ciclo político latino-americano em que a esquerda, quando vence, exige reconhecimento imediato; mas quando perde ou se vê ameaçada, passa a questionar o próprio processo.

Por que tantos tentam recontar votos quando o resultado não lhes agrada?

A DISPUTA NARRATIVA

Enquanto os números mostram uma eleição apertada, o debate público se concentra em narrativas de fraude: 

- Setores ligados a Sánchez pedem a anulação das urnas externas e questionam a lisura do processo. 

- Observadores internacionais, como a União Europeia, afirmam que a votação foi tranquila e organizada, sem sinais de fraude sistêmica. 

- O resultado ainda não foi oficializado pelo Júri Nacional de Eleições (JNE), o que mantém o país em suspense. 

UM FENÔMENO GLOBAL

O que acontece no Peru não é isolado. Em diversos países, a reação às urnas segue um padrão: 

- Quando vencem: “a democracia triunfou”. 

- Quando perdem: “houve fraude, a democracia falhou”. 

Esse comportamento revela uma polarização política internacional, em que a legitimidade das instituições é constantemente questionada. O Peru, com sua instabilidade crônica — nove presidentes em dez anos —, torna-se um exemplo emblemático dessa tendência.

A instabilidade política no Peru se reflete nas eleições.

Nas eleições legislativas, nenhuma legenda obteve maioria em qualquer das casas do Congresso. O partido de direita Força Popular, liderado por Keiko Fujimori, conquistou a maior representação parlamentar, elegendo 41 deputados e 22 senadores.

Entretanto, importante destacar, que muitos peruanos saíram do pais em função dos problemas políticos constantes e recorrentes no Peru.    

PONTOS DE REFLEXÃO

Instituições frágeis: o Peru já teve nove presidentes em dez anos, muitos destituídos ou presos, o que reforça a desconfiança popular.

Polarização territorial: Keiko é mais forte em Lima e no exterior; Sánchez domina áreas rurais e interioranas.

Impacto futuro: qualquer decisão do Júri Nacional de Eleições (JNE) sobre urnas impugnadas pode alterar o resultado, mantendo o país em suspense até julho.

Foto de Jayme Rizolli

Jayme Rizolli

Jornalista.

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