Funcionários que arremessaram jovem sem corda são presos dizem não saber como aconteceu
13/06/2026 às 20:07 Polícia
Os três homens presos em flagrante após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jumping em Limeira (SP), afirmaram à Polícia Civil que não conseguem explicar como a jovem foi lançada da plataforma sem estar conectada ao equipamento de segurança.
A informação foi divulgada pela delegada plantonista Andréa Dantas, responsável pelo registro da ocorrência.
Segundo a delegada, os dois responsáveis pela preparação da vítima para o salto não conseguiram esclarecer em que momento ocorreu a falha operacional. Conforme os depoimentos, eles não souberam indicar quem deveria ter realizado a conexão da corda ou a conferência final do equipamento antes do lançamento.
"Eles não conseguem se recordar qual foi a falha ali, quem teria que ter colocado a corda, se não houve a fiscalização. Não conseguem se recordar", afirmou Andréa Dantas.
As investigações apontam que a corda de segurança que deveria estar presa à vítima permaneceu enrolada no chão da plataforma, sem ter sido utilizada. O detalhe foi constatado pela Polícia Civil durante a apuração inicial do caso.
O advogado Rafael Gomes dos Santos, que representa os três investigados, declarou que a prática do rope jumping não possui regulamentação específica no país, embora também não seja proibida. Segundo ele, eventos semelhantes já ocorreram anteriormente na Ponte do Esqueleto, em Limeira, sem qualquer impedimento por parte do poder público.
Ainda de acordo com a defesa, a atividade realizada neste sábado reunia aproximadamente 100 participantes. O advogado classificou o episódio como uma "triste fatalidade" e destacou que os envolvidos trabalham com esse tipo de prática há anos, sem histórico de acidentes anteriores.
Um vídeo divulgado nas redes sociais registrou o momento em que a falha foi percebida pelas testemunhas. Nas imagens, Maria Eduarda é conduzida por três funcionários até a estrutura de salto. Após ser impulsionada da plataforma, pessoas que acompanhavam a atividade começam a gritar em desespero: "A corda" e, em seguida, "Gente, a corda".
Durante os depoimentos, os presos afirmaram que trabalham há bastante tempo com a realização de saltos e que jamais haviam enfrentado uma situação semelhante. A delegada destacou que eles demonstraram forte abalo emocional diante do ocorrido.
"Eles estão até desnorteados com a situação porque praticam isso há muito tempo e nunca tinha acontecido nada do tipo", relatou Andréa Dantas.
Os investigados também informaram que aquele não era o primeiro salto realizado no dia. Segundo os relatos prestados à polícia, outras pessoas participaram da atividade anteriormente e não houve qualquer problema com os equipamentos de segurança.
O terceiro homem preso alegou que sua função era apenas auxiliar na execução do salto e que não era o responsável direto pela instalação da corda. Apesar disso, a Polícia Civil entendeu que ele também poderia ter percebido a ausência do equipamento, já que a corda era de grande porte e estava visível sobre a plataforma.
"O terceiro indivíduo teria sido chamado ali para ajudar. Porém, a corda é muito visível, a corda é grossa, inclusive ela está no chão, então daria para ter visto que não estava colocada", explicou a delegada.
Os três envolvidos foram autuados em flagrante por homicídio com dolo eventual, modalidade em que se entende que o agente assumiu o risco de provocar a morte, ainda que não tivesse a intenção direta de causar o resultado.
Na avaliação da autoridade policial, a falta de conferência dos equipamentos foi determinante para a tragédia.
"Eles assumiram o risco de produzir o resultado", concluiu Andréa Dantas.
A investigação prossegue sob responsabilidade da Polícia Civil, que ainda irá ouvir outras testemunhas e aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecer todas as circunstâncias do acidente.
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da Redação