Advogado de Vorcaro que teria proposto “delação seletiva” agora tem um notório líder petista como sócio
17/06/2026 às 08:12 Política
O ministro André Mendonça disse textualmente que foi procurado por um advogado de Daniel Vorcaro que teria lhe sugerido uma delação “seletiva”.
“Fazendo Justiça, não é o advogado que deixou o caso, o Juca. Mas me chegou uma proposta por um advogado… perderam o pudor, ministro Gilmar [dirigindo-se ao decano do STF, que preside a Segunda Turma]. 'Queremos fazer uma delação seletiva'. [O advogado] Falou na minha cara isso. Eu disse: ‘Não faço questão de delação, agora, delação seletiva comigo, não”, relatou Mendonça.
Segundo Malu Gaspar, o advogado a que se referiu Mendonça é Roberto Podval, que deixou a defesa de Vorcaro em março deste ano.
Malu Gaspar diz o seguinte:
“Podval era refratário a um acordo de colaboração premiada amplo que pudesse incriminar pessoas de seu círculo íntimo, tanto no mundo político quanto no jurídico, além de ex-clientes.
De acordo com fontes a quem o episódio foi relatado na época, Podval teria sugerido que não se incluísse em uma eventual delação de Vorcaro nem ministros do Supremo (como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre – algo que o advogado nega, já que afirma não ter sido ele quem fez a sugestão a Mendonça.
Podval é amigo há décadas de Toffoli, que deixou a relatoria do caso Master em fevereiro deste ano após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregar pessoalmente ao presidente do tribunal, Edson Fachin, um documento de 200 páginas listando indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli que poderiam levar à sua suspeição. Um dos pontos mais delicados era o pagamento de R$ 35 milhões do banco de Vorcaro por uma fatia do resort Tayaya, do qual o ministro admitiu ser sócio.
Desde então, Toffoli tem se declarado suspeito e não participa do julgamento de casos relacionados às investigações do Banco Master, como o desta terça-feira (16), que confirmou as prisões do pai e do primo de Vorcaro pelo placar de 3 a 1. Votaram com Mendonça os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. – só Gilmar Mendes não referendou a decisão de Mendonça.”
E Podval, pasmem, tem um novo sócio em seu escritório de advocacia: José Dirceu.
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da Redação