Índio que fazia doutorado em Paris morre precocemente aos 30 anos
17/06/2026 às 08:30 Sociedade
O indígena Mairu Hakuwi Kuady Karajá morreu aos 30 anos no último domingo (14). A morte foi confirmada por familiares nas redes sociais e a causa teria sido um infarto.
Mairu construiu uma trajetória marcada pela defesa dos povos originários e pela busca por educação. Natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã, em Luciara (MT), ele se formou em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), fez mestrado em Direito na Universidade de Brasília (UnB) e chegou ao doutorado na França.
Mairu pertencia ao povo Iny Karajá. Nas redes sociais, compartilhava reflexões sobre a luta dos povos originários, a presença indígena nos espaços de poder e a própria trajetória acadêmica.
Segundo a Embaixada da França no Brasil, ele era integrante da primeira turma do programa Guatá, e realizou um período de estudos na Universidade Paris 8 Vincennes Saint-Denis, na França, onde participou ativamente de iniciativas acadêmicas e culturais voltadas à valorização dos povos indígenas e de suas línguas.
Ao longo da formação, Mairu passou a defender a ocupação de espaços acadêmicos por indígenas e a valorização dos conhecimentos tradicionais dentro das universidades. O pesquisador participava de debates sobre direitos indígenas, produção de conhecimento e representatividade.
Nas redes sociais, também mostrava momentos da vida fora da universidade. Publicava registros de viagens por países como Portugal, Grécia e França, além de compartilhar experiências ligadas à cultura, identidade e ancestralidade indígena.
Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas lamentou a morte e destacou a contribuição do pesquisador para a defesa dos povos originários.
"Ocupando espaços acadêmicos e institucionais, Mairu demonstrou que o fortalecimento das identidades, das línguas e dos conhecimentos ancestrais pode caminhar lado a lado com a presença indígena nesses ambientes", afirmou a pasta.
A morte de Mairu provocou manifestações de pesar entre lideranças indígenas, pesquisadores e colegas. Nas homenagens publicadas nas redes sociais, ele foi lembrado como uma referência para jovens indígenas que buscavam ingressar e permanecer na universidade.
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da Redação