Corrupção e tráfico de influência – a origem de todo o mal

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Os crimes violentos – aqueles que deixam rastros de sangue – são os que as pessoas mais reprovam. Naturalmente esses delitos causam uma repulsa muito maior no espírito humano, seja porque denuncia e expõe o quanto somos frágeis - ou seja pela brutalidade, pela monstruosidade com que esses atos são cometidos. Quanta inocência...

A olho nu, realmente um corpo dilacerado impressiona qualquer criatura minimamente sensível. Contudo, os piores crimes, os mais cruéis, aqueles que causam um mal muito maior, muitas vezes impossível de se quantificar, que alcançam centenas ou milhares de vítimas, causando sofrimento em inúmeras famílias – são praticados através de uma caneta – de forma imperceptível ao cidadão comum.

Assim são os crimes de corrupção e de tráfico de influência, praticados diariamente, de forma sistêmica, pelas autoridades que comandam o nosso país.

Quando você entra num hospital público e tem apenas um médico para toda a emergência; quando não há pessoal para operar as máquinas de radiografia e imagens (isso quando há máquinas); quando não há leitos e nem vagas nas unidades hospitalares e você ou seu familiar não conseguem ser atendidos ou internados, é resultado direto desses crimes de corrupção e afins.

Os crimes violentos fazem um número determinado de vítimas – os crimes que orbitam a corrupção sistêmica, não. Aquele motociclista que caiu de sua moto porque o asfalto de péssima qualidade cedeu em determinado ponto da pista – e veio a óbito ou ficou paraplégico – é vítima desses crimes tanto quanto aquela criança que não recebe sua merenda escolar, porque o poder público não tem recursos para fornecer essa alimentação, como se fosse algum tipo de privilégio que pudesse ser simplesmente cortado.

Não há como mensurar os prejuízos causados por essas organizações criminosas. Como se não bastasse, eles são poderosos – de fato e de direito – eles detêm o poder. Controlam a mídia, o aparato repressor estatal e até a economia. Impõem censura no país e controlam tudo, até o Judiciário. Quem ousar enfrentar ou delatar o sistema, hoje é preso, amanhã será fuzilado ou enforcado.

O Brasil acaba de perder para a Índia, um contrato de 30 bilhões de dólares com os Estados Unidos. Isso mesmo, US$ 30 bilhões vão deixar de entrar no Brasil. A Índia vai dispor ao americano minérios críticos e terras raras e assim os EUA poderão dominar a indústria de informática com a fabricação de peças que necessitam ligas metálicas especiais.

O americano jamais investiria num país que se opõe a combater as organizações terroristas como o CV e o PCC – isso seria como fortalecer o inimigo. Mais um prejuízo que não vai para a conta da corrupção, mas que deveria ir – não perdemos 30 bilhões de dólares, mas deixamos de ganhar.

Certo estava o Boca de Veludo quando disse “Perdeu, mané!” ao povo brasileiro. Perdemos mesmo. O país quebrou!

Batemos um recorde histórico de empresas em recuperação judicial, com mais de 5.600 companhias registradas nessa situação. Esse cenário caótico que tem sido impulsionado por taxas de juros elevadas e restrições de crédito, chegou no seu limite – a economia vai colapsar.

Não faltam recursos naturais, assim como não falta mão-de-obra para trabalhar. O problema é que as decisões não são tomadas pensando no bem-estar social, mas no enriquecimento ilícito dos mandantes e mandatários e na perpetuação do poder.

Terrorismo não são apenas os eventos violentos protagonizados pelo PCC ou pelo CV. A barbárie praticada na economia pelo PT, a inversão de valores no Judiciário, a política pública adotada de desencarceramento no lugar de se construir novos presídios, tudo isso deveria ser considerado ato terrorista.

Para uma mesada de R$ 300 mil ao Lulinha é necessário um assalto nas contas dos aposentados do país inteiro na ordem de bilhões. Para um contrato de US$ 129 milhões beneficiando o Alexandre de Moraes é necessário lesar todo o mercado financeiro e bancário do país também na casa dos bilhões.

Então, prezado leitor, uma guerra entre facções pode ocasionar a morte de dezenas de pessoas, mas os crimes praticados por essa corja que tomou o poder de assalto nas últimas eleições presidenciais, levam à óbito dezenas ou centenas de pais de família e trabalhadores por dia. As contas que não fecham no fim do mês, o dinheiro que falta para comprar comida ou o remédio. Os preços subindo nas prateleiras e mais da metade da população quebrada financeiramente – inadimplente – é consequência da corrupção.

A corrupção mata na fila de espera do hospital, na ausência do policial na esquina quando o vizinho foi assaltado ou no enfarto causado pela pressão de ter que honrar os compromissos. A corrupção mata com requintes de crueldade ou tortura, quando impõe tempos de fome e miséria à parcela mais apoucada da população.   

Esses crimes econômicos praticados pelas autoridades públicas e grandes empresários é que devem ocupar a atenção do povo brasileiro. O Brasil precisa acordar e adotar políticas públicas voltadas a extirpar essas práticas criminosas – ou seguiremos vendo o Brasil descer pelo ralo.

Chega de corrupção!

Foto de Carlos Fernando Maggiolo

Carlos Fernando Maggiolo

Advogado criminalista e professor de Direito Penal. Crítico político e de segurança pública. 

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