A estratégia de Mendonça: O resultado foi cirúrgico
19/06/2026 às 06:45 Direito e Justiça
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não sabia que Jaques Wagner era o alvo principal da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Estava na França, acompanhando o presidente Lula no G7, quando a operação foi deflagrada em Brasília, Salvador e São Paulo. Foi pego de surpresa — junto com o chefe do Planalto.
A imagem é histórica: o presidente da República e o chefe da Polícia Federal, juntos em Évian, descobrindo pela imprensa que a PF bateu na porta do amigo de quarenta anos. Mendonça garantiu que fosse exatamente assim. Desde fevereiro, quando assumiu a relatoria do caso Master, o ministro do STF determinou que os desdobramentos do inquérito não fossem comunicados à cúpula da corporação — blindando a operação de qualquer vazamento que pudesse chegar ao Planalto.
O resultado foi cirúrgico. Lula estava no palco do G7 discursando sobre soberania digital e exclusão africana quando André Mendonça assinava os mandados em Brasília. Andrei estava ao lado do presidente quando os agentes encontravam US$ 55 mil, 33 mil euros e relógios Rolex no quarto de hotel do líder do governo no Senado.
A compartimentação de Mendonça não foi burocracia — foi estratégia. O governo que controla a narrativa da PF não controlou desta vez. E a prova é que o diretor-geral da instituição soube da operação contra o principal aliado de Lula no Senado pelo mesmo canal que o cidadão comum: a imprensa.
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da Redação