A personalidade da Bahia que assombra o PT e o Palácio do Planalto

Ler na área do assinante

A revelação é do bem informado jornalista Cláudio Magnavita no site Correio da Manhã. Ele conta detalhes da operação da Polícia Federal realizada nesta quarta-feira (18) e tece comentários sobre uma personalidade baiana que assombra o PT e o Palácio do Planalto. Transcrevemos:

Na operação desta quinta-feira (18), um nome fez tremer o PT, muito mais do que as apreensões de Jaques Wagner. Trata-se de uma das mais simpáticas e cativantes figuras da sociedade baiana: Guilherme Henrique Sodré Martins ("Guiga"), publicitário baiano, amigo de longa data de Jaques Wagner e ex-marido da atual esposa do senador. Segundo relatórios da Polícia Federal transcritos na sentença do ministro André Mendonça, ele atuava como interlocutor ("lobista"), fazendo a articulação entre o núcleo empresarial do banco e o entorno pessoal de Wagner.
A atuação "Guiga" como articulador político e lobista, não se limita a Jaques Wagner; historicamente, o seu trânsito e influência estendem-se aos principais nomes da cúpula nacional e nordestina do Partido dos Trabalhadores (PT). Devido ao seu perfil de relações públicas de alto escalão e sua proximidade familiar com Wagner, "Guiga" consolidou pontes estratégicas ao longo das últimas décadas.
Relatórios de auditorias e investigações antigas da Polícia Federal (como a Operação Satiagraha) apontaram que Guilherme Sodré apresentava-se no meio empresarial como alguém "muito próximo" do presidente Lula para abrir portas políticas. Na atual fase da Operação Compliance Zero, interlocutores apontam que as movimentações de seu grupo buscavam blindagem e influência em pautas de interesse bancário diretamente no Congresso Nacional e junto ao Governo Federal.
Em 2006, Guilherme foi o responsável direto por aproximar formalmente o então governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, e a ministra da Casa Civil da época, Dilma Rousseff. "Guiga" intermediou o empréstimo de um iate de luxo de um empresário baiano para um passeio de descanso das lideranças petistas em Salvador, demonstrando seu papel de livre trânsito e agenciamento social com os principais nomes do partido.
No âmbito regional da Bahia (coração político do PT no Nordeste), a influência de Guilherme perpetuou-se por meio de sua família. Seu filho, Eduardo Sodré Martins (enteado de Jaques Wagner) e também alvo da operação desta quinta-feira (18), foi integrado ao primeiro escalão do governo estadual comandado por Jerônimo Rodrigues (PT), assumindo o cargo de Secretário do Meio Ambiente da Bahia. Conforme as investigações da Polícia Federal divulgadas, essa estrutura e os cargos políticos eram utilizados para dar musculatura e credibilidade às cobranças e pressões financeiras feitas a investidores e operadores privados.
Durante a célebre Operação Satiagraha (2008), a Polícia Federal identificou Guilherme Sodré como o porta-voz político e principal lobista do banqueiro. Auditorias internas revelaram que a Brasil Telecom (na época controlada pelo Opportunity) repassou R$ 255 mil a Guilherme por serviços classificados juridicamente como "lobby". O objetivo era usar sua influência junto ao governo petista para destravar interesses societários da telefônica.

Um recado para nossos assinantes: MUITO OBRIGADO! É com a sua ajuda que conseguimos continuar nessa árdua batalha.

Você que ainda não é um assinante, considere essa possibilidade. O valor é muito baixo - apenas R$ 19,90 mensais, que fazem toda a diferença no JCO. Para assinar é muito simples, basta clicar no link: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/apresentacao

SEU APOIO É MUITO IMPORTANTE! CONTAMOS COM VOCÊ!

da Redação
Ler comentários e comentar