O imbróglio envolvendo Donald Trump e Giorgia Meloni tem explicação. Vamos aos fatos
20/06/2026 às 10:24 Opinião
Primeiro, Meloni criticou Trump. Trump contra-atacou depois. Já havia tensão entre os dois. Um dos pontos de atrito foi a posição de Meloni em relação à Ucrânia. Ela declarou que a Itália continuará apoiando Zelensky pelo tempo que for necessário, cooperando com a indústria bélica, especialmente em drones, apoio energético e ajuda financeira. Houve divergências internas na coalizão italiana, principalmente com o partido Lega, mas Meloni prevaleceu.
O apoio contínuo de Meloni a Zelensky, alinhado ao de outros países europeus, dificulta os esforços de Trump para isolar o líder ucraniano e pressionar por um acordo rápido de paz, prolongando a resistência da Ucrânia com recursos externos. Não há a menor possibilidade de a Ucrânia ser vitoriosa. Só aumenta o número de mortos e feridos.
Outro motivo de tensão foi a guerra contra o Irã. Em março de 2026, Meloni declarou publicamente que a Itália não estava participando e não pretendia participar da intervenção americana e israelense, criticando "intervenções unilaterais fora dos limites do direito internacional". A Itália negou aos americanos o uso da base de Sigonella. Essa postura causou atrito, pois Meloni era vista como uma das aliadas mais próximas de Trump na Europa.
O conflito intensificou-se quando o Papa Leão XIV atacou a guerra contra o Irã. Durante a intervenção militar dos Estados Unidos e de Israel, o Papa condenou publicamente o conflito, denunciando "a ilusão de onipotência que alimentava a guerra".
É importante notar que o então cardeal Robert Francis Prevost, atual Papa Leão XIV, já criticava abertamente Donald Trump antes mesmo de ser eleito papa.
Em 12 de abril de 2026, Donald Trump respondeu duramente à critica, chamando o Papa no "Truth Social" de fraco no combate ao crime – e terrível para a política externa. "Weak on crime" é uma expressão que Donald Trump costuma usar com quem ele considera tolerante com a criminalidade em geral. Ele também escreveu que o Papa deveria parar de cortejar a esquerda radical e focar em ser Papa em vez de político.
No dia seguinte, 13 de abril, Giorgia Meloni, tomando as dores de Leão XIV, declarou que as palavras de Trump contra o Papa eram inaceitáveis, afirmando que era correto e natural o Pontífice pedir paz e condenar todas as formas de guerra.
Trump contra-atacou diretamente a primeira-ministra. Em entrevista ao jornal Corriere della Sera, Trump afirmou que Meloni não parecia se importar que o Irã tivesse uma arma nuclear que explodiria a Itália em dois minutos. Disse ainda que estava chocado. Pensava que Meloni tivesse coragem, mas enganou-se. Trump também declarou que não tinham mais a mesma relação.
Em junho de 2026, durante a cúpula do G7 na França, em entrevista a uma emissora italiana, Donald Trump afirmou que Meloni implorou por uma foto com ele durante o evento. Disse que ela queria tanto a fotografia que ele teve pena e aceitou. Meloni ficou furiosa e respondeu que não implorou nada.
Quanto ao Papa, enquanto Leão XIV fez declarações reconhecendo o sofrimento de muçulmanos e promovendo a convivência e o diálogo inter-religioso, inclusive afirmando que os palestinos têm direito de viver em paz na sua própria terra, ele não fez nenhuma declaração condenando explicitamente o massacre de cristãos na Nigéria e em outros países africanos reconhecendo a autoria de grupos muçulmanos extremistas. Limitou-se a expressar tristeza e profunda preocupação com a perda de vidas e a pedir proteção para todos os cidadãos.
Em resumo, Leão XIV fez quatro declarações contra a perseguição a cristãos na África, seis declarações favoráveis ao diálogo e à convivência com muçulmanos e cinco de apoio aos palestinos.
Recomendo que, para entender o motivo de certas críticas do presidente Donald Trump, você ignore a imprensa mainstream e verifique quem atirou a primeira pedra.
Lucia Sweet
Jornalista