

Vivendo nós em tempos de redes sociais, sabemos todos - e observo isso diariamente - que em comentários dirigidos a amigos muita gente mente, e como mente, o que sempre me causa grande espanto, e chego a pensar por qual motivo a criatura não tenha optado por manter a boca fechada a digitar seu elogio mentiroso, sabendo eu que tal elogio não procede. que aquele que o fez pensa muitas vezes de maneira oposta àquilo que escreveu, e presta-se mais à regras de convívio social, naquela velha e conhecida hipocrisia que reina acima de tudo.
Ao final, todos ficam muito felizes, bem na fita, como se costuma dizer, e o barco segue, levando a triste e tola humanidade para o destino final conhecido, embalada por enganos mútuos.
Pensei nisso ao ver a reação de muitos à fala de Trump em relação à chefe de Estado italiana Giorgia Meloni.
Trump, para o bem e para o mal, não tem papas na língua.
É um homem bem sucedido, que ganhou seu dinheiro fora do mundo da política, completou recentemente seus oitenta anos de idade, o que nos leva a crer que sabe muito bem que não tem tempo a perder, que a hora é agora, e isso se alia a um temperamento que não é dado a muitas mesuras, delicadezas, suavidades.
Foi e é perseguido e atacado pela esquerda americana e mundial de maneira ininterrupta, o que o levou até mesmo à prisão, em estratégias tão conhecidas por aqui também, em terreno doméstico.
Enquanto a maioria das pessoas, opta pelo social, pelo politicamente correto, pelos sorrisos artificiais, abraços fingidos, elogios mentirosos, ele é da turma que não esconde o que pensa e fala o que pensa sem muito tempo a perder.
É uma espécie de liderança rara, que produz admiração em alguns e repulsa em outros, e sabemos de antemão o que leva uns e outros a tais sentimentos.
E agora vamos ao caso específico ocorrido nesta semana com a italiana Meloni.
Nos últimos tempos, apesar de originalmente ser uma política de Direita supostamente aliada das políticas implantadas pelo americano, desentenderam-se por conta das decisões a respeito da Ucrânia e Irã.
Meloni continuou a apoiar Zelenski num conflito que Trump tenta terminar, negou o uso de bases aéreas na Italia para operações militares dos EUA durante o conflito com o Irã, posicionou-se a favor do Papa Leão XIV quando das divergências recentes entre o Papa e Trump, criando animosidade crescente entre os dois, levando o americano a dizer que estava chocado com a italiana e que não tinham mais a mesma boa relação anterior, decepcionado que estava com suas últimas ações.
De repente, na última reunião do G7 acontecida em Junho de 2026 na França, vimos uma Meloni sorridente e amável, aproximando-se de Trump, talvez pelo anunciado acordo de término do conflito com o Irã, vá saber, acreditando possivelmente que todos os desacordos havidos anteriormente estavam, finalmente, solucionados.
Como vimos, não estão, e Trump fez questão de dizer, a seu modo e publicamente, que sob sua ótica Meloni forçou uma aproximação que ele concedeu, "por pena".
Direto e reto como poucos, causando a gritaria por parte de todos aqueles acostumados à gostosa hipocrisia que leva a dizer o que não pensa e não sente, em que todos sentem-se acolhidos e amados, ainda que estejam na verdade, sendo enganados o tempo todo.
Assim funciona a humanidade.
Silvia Gabas. @silgabas
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