AO VIVO: A faxina política... A América Latina expulsa a esquerda do mapa (veja o vídeo)
22/06/2026 às 06:50 Opinião
A vitória de Abelardo de la Espriella, conhecido como “El Tigre”, na eleição presidencial da Colômbia representa mais um capítulo de uma transformação política que vem redesenhando o mapa da América Latina. Após anos de predominância de governos alinhados à esquerda, diversos países da região passaram a registrar avanços expressivos de lideranças conservadoras, liberais ou de direita.
A eleição colombiana possui um significado especial. A Colômbia havia eleito, em 2022, seu primeiro presidente de esquerda, Gustavo Petro. Quatro anos depois, os eleitores optaram por uma mudança de rumo, levando ao poder um candidato que construiu sua campanha em torno do combate ao crime, fortalecimento da segurança pública, redução do tamanho do Estado e reaproximação com os Estados Unidos. Mas a Colômbia não está sozinha.
Nos últimos anos, diversos países da América Latina passaram por movimentos semelhantes:
- República Dominicana (2024)
- El Salvador (2024)
- Panamá (2024)
- Equador (2025)
- Bolívia (2025)
- Honduras (2025)
- Chile (2025)
- Costa Rica (2026)
- Peru (2026)
O fenômeno sugere uma tendência regional que vem sendo observada por analistas políticos: o desgaste de governos de esquerda diante de problemas persistentes como insegurança, crescimento econômico limitado, corrupção e crises institucionais.
A situação da Venezuela também contribuiu para essa mudança de percepção em parte do eleitorado latino-americano. Durante anos, o regime de Nicolás Maduro foi utilizado por adversários políticos como exemplo dos riscos associados a projetos de poder concentrados e de forte intervenção estatal. A crise econômica, a hiperinflação, a migração em massa e a instabilidade institucional transformaram o país em um dos principais símbolos do fracasso do chamado socialismo bolivariano.
Paralelamente, cresce a influência da política externa norte-americana sob a liderança de Donald Trump. O presidente americano tem manifestado repetidamente o interesse em ampliar a presença e a influência dos Estados Unidos no continente, fortalecendo alianças com governos ideologicamente alinhados e apoiando lideranças que defendam segurança, livre mercado e combate ao narcotráfico. Durante a campanha colombiana, Trump chegou a declarar apoio público a Abelardo de la Espriella, reforçando a conexão política entre setores conservadores da América Latina e Washington.
Ainda é cedo para afirmar se essa mudança representa uma transformação permanente ou apenas um ciclo político passageiro. Entretanto, os resultados eleitorais recentes indicam que uma parcela significativa dos latino-americanos decidiu experimentar um caminho diferente daquele que predominou em grande parte da última década.
Se a tendência continuar, o mapa político do continente poderá sofrer uma das maiores reconfigurações desde o início do século XXI. E a eleição de “El Tigre” na Colômbia pode ficar registrada como mais um marco dessa mudança.
Veja o vídeo:
Emílio Kerber Filho
Escritor e Estrategista Político. Criador do método Arquitetura Eleitoral:
https://emiliokerber.com.br/
https://emiliokerber.com.br/