Depois de mais de 12h de espera, homem morre em UPA no DF (veja o vídeo)

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Um homem de 49 anos morreu dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas, no Distrito Federal, após permanecer mais de 12 horas na área de espera da unidade. Imagens das câmeras de segurança revelam que Vilmar Pereira da Silva chegou ao local na noite de sexta-feira (19) e permaneceu ali até ser encontrado sem sinais vitais na tarde de sábado (20).

Os registros mostram que Vilmar chegou à unidade às 21h14 utilizando uma cadeira de rodas. Poucos minutos depois, às 21h18, um vigilante o conduziu para uma área próxima às cadeiras destinadas aos pacientes que aguardam atendimento médico.

Ao longo da madrugada, as câmeras continuaram registrando a presença de Vilmar no local. Às 23h07, ele foi visto próximo ao banheiro da unidade. Já às 02h43, aparecia sentado em um canto da sala com um cobertor sobre as pernas, enquanto outras pessoas também descansavam nas cadeiras da recepção. Um minuto depois, um vigilante foi flagrado conversando com ele.

Somente por volta das 14h30 de sábado a situação chamou a atenção de pessoas que aguardavam atendimento. Ao perceberem que Vilmar não apresentava qualquer reação ou movimento, os presentes acionaram profissionais da unidade. A morte acabou sendo constatada no local.

Segundo relatos, a enfermeira Mayela Lima, que estava na UPA acompanhando a filha e não integrava a equipe da unidade, foi uma das primeiras pessoas a verificar a situação. A confirmação da ausência de sinais vitais levou ao acionamento das autoridades competentes.

Familiares de Vilmar afirmam que ele enfrentava problemas relacionados ao alcoolismo e vivia em situação de vulnerabilidade social, embora recebesse apoio constante da família. As filhas também relataram que ele já havia procurado atendimento médico na mesma unidade em outras oportunidades.

"Infelizmente, todas as vezes que ele foi internado, a gente via de perto o descaso, a forma como tratavam o meu pai. Às vezes, a gente pedia um acessório e, como era meu pai, eles falavam que tinha que esperar. 'Já vou lá, não era nem para ele estar aqui, isso não é caso de ficar internado aqui'", diz Eveylye Pereira.

Em nota divulgada após o caso, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), responsável pela administração da UPA, informou que Vilmar não possuía ficha de atendimento aberta na unidade e que não havia passado pelos procedimentos de triagem ou classificação de risco.

De acordo com o instituto, a equipe médica foi acionada somente quando frequentadores da recepção demonstraram preocupação com o estado do homem. Após a avaliação, os profissionais constataram o óbito e acionaram a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para os procedimentos legais.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que abriu apuração para esclarecer todos os fatos relacionados ao episódio. Em comunicado oficial, a pasta ressaltou que não aceitará qualquer indício de omissão na prestação de assistência à população e que irá verificar se todos os protocolos foram corretamente seguidos.

Em publicação nas redes sociais, o secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante, declarou que Vilmar Pereira costumava passar a noite na unidade e anunciou a instauração imediata de uma sindicância para investigar o ocorrido. Já a governadora Celina Leão (PP) manifestou solidariedade à família e afirmou ter determinado uma apuração rigorosa das circunstâncias da morte.

O caso segue sob investigação e deverá analisar tanto a atuação dos profissionais envolvidos quanto os procedimentos adotados pela unidade durante o período em que Vilmar permaneceu no local.

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da Redação
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