A eleição das narrativas já começou: TSE identifica fake news do PT

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As eleições de 2026 ainda não chegaram oficialmente às urnas. Mas já chegaram às redes sociais.

Antes mesmo da abertura formal da campanha, o eleitor brasileiro assiste a uma disputa cada vez menos centrada em propostas e cada vez mais focada na construção — ou destruição — de reputações.

O episódio envolvendo publicações que associavam o senador Flávio Bolsonaro a investigações e organizações criminosas, posteriormente questionadas na Justiça Eleitoral, é apenas mais um capítulo de um fenômeno que se tornou comum na política moderna.

Os fatos: O TSE ordenou que a Meta apague posts mentirosos em 24 horas sob pena de punição rigorosa por estelionato político. O tribunal considerou criminosa a associação feita por Lindbergh Farias, Guilherme Boulos, Gleisi Hoffmann e outros petistas sem qualquer prova.  A decisão da ministra Estela Aranha confirmou que o senador não é investigado ou citado na Operação Unha e Carne. Não se trata de um caso isolado.

Ao longo dos últimos anos, diferentes lideranças políticas, de diversos espectros ideológicos, passaram a enfrentar campanhas digitais baseadas em associações negativas, cortes de contexto, insinuações e narrativas cuidadosamente construídas para produzir impacto emocional imediato. A lógica é simples.

Em um ambiente onde milhões de pessoas consomem informação em poucos segundos, muitas vezes a acusação alcança muito mais pessoas do que a eventual correção.

Quando a verdade chega, a impressão inicial já foi formada. E é justamente aí que reside o risco.

A Justiça Eleitoral tem sido chamada cada vez mais frequentemente para arbitrar conflitos envolvendo desinformação, propaganda antecipada, uso de inteligência artificial, manipulação de conteúdo e ataques à honra de candidatos. O próprio debate eleitoral de 2026 já vem sendo apontado por especialistas como um dos mais sensíveis da história recente do país.

A questão que surge não é apenas jurídica. É democrática.

O eleitor deve escolher seus representantes com base em fatos, propostas e histórico de atuação, ou com base em narrativas cuidadosamente desenhadas para provocar indignação instantânea?

A tecnologia ampliou a velocidade da informação. Mas também ampliou a velocidade da desinformação.

Hoje, uma postagem pode alcançar milhões de pessoas em poucas horas.

Uma decisão judicial, por mais correta que seja, raramente consegue percorrer o mesmo caminho na mesma velocidade.

Por isso, talvez a principal disputa das eleições de 2026 não aconteça nos palanques.

Talvez aconteça na capacidade dos cidadãos de distinguir fatos de versões, provas de acusações e informação de propaganda.

As campanhas ainda nem começaram oficialmente.

Mas a batalha pelas narrativas já está em pleno andamento.

E o maior desafio do eleitor será descobrir onde termina a política e onde começa a manipulação.

Foto de Jayme Rizolli

Jayme Rizolli

Jornalista.

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