O perverso subterfúgio adotado por Edir Macedo e Daniel Vorcaro para cometer fraudes contra o sistema financeiro

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A Polícia Federal enviou nesta terça-feira (23) documento à Justiça Federal que vai muito além do caso Digimais — e aponta para uma distorção sistêmica no sistema financeiro brasileiro. Para a PF, o Fundo Garantidor de Crédito, criado para proteger o investidor, está sendo usado por bancos em crise como instrumento de captação fraudulenta e transferência de prejuízos ao sistema.

A lógica apontada pela PF é cirúrgica: instituições fragilizadas vendem CDBs com taxas elevadas — acima do mercado, atraentes justamente pela insolvência oculta — e usam a cobertura do FGC como argumento de segurança para o investidor. Simultaneamente, mascaram a real situação patrimonial com ativos superavaliados ou lançamentos contábeis questionáveis. O resultado: captam recursos do público, socializam o risco via FGC e privatizam os ganhos enquanto duram.

O Digimais, segundo a PF, replicou a tática do Master — superavaliação de ativos para aparentar solvência. Dois bancos investigados em operações distintas usando o mesmo mecanismo não é coincidência. É metodologia. E onde há metodologia replicável, há sistema — não casos isolados.

A implicação regulatória é grave. O FGC é financiado pelas próprias instituições financeiras — os bancos saudáveis pagam pelo risco dos insolventes. Se o mecanismo está sendo usado sistematicamente como subterfúgio, os bancos sólidos estão subsidiando fraudes enquanto o BC não decreta liquidações a tempo. É socialização de perdas com privatização de ganhos — o modelo mais antigo e mais perverso de captura do sistema financeiro.

Master, Digimais — e quem mais? A PF sinalizou que o problema é estrutural. O BC tem relatórios. O FGC tem exposição. E o sistema financeiro brasileiro tem uma pergunta sem resposta: quantos outros bancos estão usando o fundo garantidor como escudo para fraudes?

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da Redação
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