URGENTE: Marco Rubio envia carta a Flávio Bolsonaro
26/06/2026 às 09:16 Internacional
Informações que acabam de surgir dão conta de que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, reforçou em uma carta enviada a Flávio Bolsonaro a posição do governo Donald Trump de defender a imposição de tarifas ao Brasil.
A carta enviada pelo homem-forte de Trump é uma resposta à correspondência do início de junho em que o presidenciável do PL fez um apelo para os Estados Unidos não adotarem um novo tarifaço contra o país, diz Malu Gaspar.
Leia o artigo da jornalista:
Na mensagem, Flávio alegou que a imposição de novas sanções à economia brasileira pelo governo Trump traria “sérios danos” à população e disse estar confiante na sua vitória na eleição presidencial de outubro, o que poderia redefinir as relações entre Brasília e Washington. A campanha do bolsonarista divulgou o texto horas após o USTR anunciar a conclusão de uma investigação aberta sob a chamada Seção 301, que apura eventuais práticas comerciais de outros países que prejudiquem os EUA.
A iniciativa foi uma tentativa de gerenciamento de crise, já que a ofensiva do governo Trump reverteu os benefícios que a visita de Flávio ao presidente americano vinha rendendo, por ter acontecido dias antes do anúncio da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O estrago provocado na campanha do bolsonarista pelo anúncio de que o governo dos EUA queria mais tarifas sobre os produtos brasileiros foi ainda maior porque, no mesmo dia em que divulgou a medida, Donald Trump postou em suas redes sociais uma foto ao lado de Flávio Bolsonaro no Salão Oval, o que reforçou a tese de interferência eleitoral da Casa Branca e associou Flávio às ameaças de novas sanções.
Na resposta ao brasileiro, Rubio ainda agradeceu o apoio à classificação do CV e o PCC como terroristas pelos EUA e chamou de “generosa” a proposta de Flávio de criar uma equipe de transição junto ao governo Trump caso seja eleito presidente. A ideia estava na mensagem enviada ao americano no início do mês.
No entanto, não cedeu um milímetro na questão das tarifas e nem comenta as preocupações listadas pelo filho de Jair Bolsonaro em sua carta.
Audiência
No telegrama, Rubio reafirmou a posição dos EUA sobre políticas que supostamente prejudicariam a economia americana, entre elas o Pix, mas afirmou que as investigações comerciais que propuseram um novo tarifaço não são lideradas por ele e sim por Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês).
“O Embaixador Greer deixou claro que nós permanecemos com diferenças substanciais em relação à solução das irregularidades apontadas nesta investigação. São questões relacionadas ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal”, escreveu o secretário de Estado dos EUA.
Sem convidá-lo diretamente, o americano frisou que os trâmites da investigação comercial incluem uma consulta e uma audiência públicas coordenadas pelo USTR, oportunidades nas quais o caso do Brasil poderia ser debatido junto ao governo americano.
“Qualquer parte interessada no Brasil pode participar do período de consulta pública e da audiência aberta que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA organizará em 6 de julho. A consulta ficará aberta até 1º de julho. Solicitações para participar da reunião deverão ser feitas até 22 de junho”, afirmou Rubio.
Na última terça-feira, Flávio anunciou que se inscreveu para falar na audiência do USTR e viajará aos EUA para participar do encontro. Nas redes, o pré-candidato retratar a iniciativa como um esforço para sensibilizar a administração Trump e evitar novas sanções ao Brasil, possivelmente indicando a possibilidade de derrota de Lula nas urnas.
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A perspectiva de alternância de poder em Brasília é um dos pilares da pressão econômica e diplomática de Trump sobre o país, mas Rubio optou por uma postura mais comedida na carta para Flávio.
Disse que os EUA estão atentos ao “otimismo” eleitoral de Flávio e agradeceu a ideia de criar uma ponte direta entre Brasília e Washington durante a transição de governos, mas enfatizou que o governo americano está disposto a “trabalhar cooperativamente com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro” para resolver as diferenças comerciais entre os dois países.
Em outras palavras, mesmo a linha dura do trumpismo admite que os EUA não terão outra opção a não ser conviver e dialogar com o presidente eleito em outubro.
Rubio e Flávio se encontraram durante o périplo do filho 01 de Jair Bolsonaro por Washington no fim de maio. O presidenciável publicou uma foto com o secretário de Estado nas redes e exaltou o encontro antes da conclusão da investigação comercial americana.
“Seguimos fortalecendo relações internacionais, defendendo a liberdade, a democracia e os valores que unem milhões de brasileiros e americanos”, escreveu Flávio Bolsonaro.
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da Redação