
Em poucas horas, CazéTV sofre dois duros golpes

27/06/2026 às 20:02 Sociedade

A CazéTV enfrentou dois reveses importantes em um curto intervalo de tempo. Enquanto o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) recomendou a suspensão de ações publicitárias de casas de apostas exibidas durante as transmissões da Copa do Mundo de 2026, a plataforma também ficou de fora das negociações iniciais pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil para o ciclo de 2027 a 2030.
O primeiro episódio envolve uma decisão liminar do Conar, que recomendou a interrupção de três peças publicitárias veiculadas durante transmissões ao vivo da Copa do Mundo. As ações de merchandising estavam relacionadas às casas de apostas KTO, Betnacional e Bet365 e eram apresentadas por narradores, comentaristas e apresentadores da CazéTV ao longo das partidas.
A medida foi adotada após o órgão receber representações de consumidores. O objetivo agora é verificar se o formato das divulgações poderia ter induzido o público a uma percepção equivocada sobre as chances de ganho nas apostas, sem destacar de forma adequada os riscos envolvidos na atividade.
"O relator deferiu medida liminar ontem (26/6), recomendando a sustação da divulgação dos anúncios objetos das respectivas representações, considerando a presença de uma combinação de elementos indicativos de infração aos referidos princípios, além dos potenciais impactos da divulgação. Embora as ofertas objeto dos anúncios em análise já tenham expirado, versando sobre jogos em transmissões ao vivo, a recomendação indica associação possivelmente irregular, constituindo relevante baliza até a apreciação de mérito da matéria", informou o Conar.
O mercado de apostas esportivas é regulamentado pelo Anexo "X" do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, que estabelece exigências como transparência na identificação das ações comerciais, proibição de mensagens que sugiram lucro fácil ou garantido, responsabilidade social na comunicação e a obrigatoriedade de avisos sobre restrição para maiores de 18 anos e os riscos da prática.
Pouco depois da repercussão da decisão do Conar, outro revés veio do mercado de transmissões esportivas. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) iniciou as conversas para comercializar os direitos da Copa do Brasil entre 2027 e 2030 sem incluir a CazéTV entre as empresas convidadas para a primeira rodada de negociações.
Segundo informações da "Folha de S.Paulo", participaram das reuniões representantes da Globo, SBT, Record, Amazon, TNT Sports, Paramount e Disney. A plataforma comandada por Casimiro Miguel, no entanto, não integrou a lista de interessados convidados pela entidade.
De acordo com a publicação, a exclusão estaria relacionada a divergências de bastidores entre a CBF e a Livemode, empresa que mantém ligação com o projeto da CazéTV. Apesar do crescimento da audiência e da consolidação da plataforma nas transmissões esportivas, ela acabou fora das tratativas iniciais.
A CBF pretende firmar um contrato com validade de quatro anos e estuda dividir os direitos de transmissão em diferentes pacotes, estabelecendo previamente o número de partidas destinado a cada emissora e um sistema de revezamento para a escolha dos confrontos de maior interesse em cada fase da competição.
Além da reformulação do modelo de distribuição, a entidade busca ampliar significativamente sua arrecadação com a Copa do Brasil. A expectativa é elevar as receitas para cerca de R$ 1 bilhão no próximo ciclo de contratos, acima dos aproximadamente R$ 700 milhões obtidos atualmente com os acordos firmados junto à Globo e à Amazon.
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