URGENTE: EUA tomam atitude forte contra o PCC, atinge cidadãos e empresas brasileiras
01/07/2026 às 13:15 Internacional
O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira (1º), novas sanções contra dois cidadãos brasileiros, três empresas localizadas em São Paulo e uma companhia sediada em Portugal. Segundo as autoridades americanas, os alvos fazem parte de um esquema de lavagem de dinheiro que teria beneficiado o Primeiro Comando da Capital (PCC).
No mesmo comunicado, Washington classificou a facção como a maior organização criminosa do Ocidente.
A decisão foi divulgada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Conforme o comunicado oficial, a estrutura investigada utilizava empresas para ocultar a origem de recursos provenientes de atividades criminosas praticadas em território americano, remetendo posteriormente esses valores ao Brasil em favor da facção.
No mês de junho, tanto o PCC quanto o Comando Vermelho (CV) passaram a ser classificados pelo governo americano como organizações terroristas. Embora a designação tenha ocorrido recentemente, as autoridades não esclareceram se essa decisão possui relação direta com as sanções anunciadas agora.
Os principais alvos das medidas são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. De acordo com o Departamento do Tesouro, Shimada seria o principal intermediário entre operadores do PCC estabelecidos na Flórida e traficantes internacionais, tendo movimentado mais de US$ 30 milhões oriundos de atividades ilícitas em diversas cidades dos Estados Unidos por meio de operações com criptomoedas.
Segundo as investigações divulgadas pelo governo dos Estados Unidos, Shimada utilizava uma rede empresarial para ocultar a origem dos recursos, dificultar a fiscalização e conferir aparência de legalidade às movimentações financeiras realizadas em benefício da organização criminosa.
Entre as empresas apontadas no esquema estão a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., a Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. e a Wave Construções Inteligentes Ltda., todas registradas no estado de São Paulo. Conforme o Departamento do Tesouro, essas empresas teriam sido utilizadas para mascarar operações financeiras e dificultar o rastreamento dos valores.
Além das companhias brasileiras, as sanções também alcançam a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., igualmente apontada pelas autoridades como integrante da estrutura financeira investigada.
O comunicado informa ainda que Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira exercia funções de apoio às operações, atuando como secretária de Shimada e auxiliando na retirada de grandes quantias em dinheiro em espécie, além de prestar suporte logístico às atividades de lavagem de dinheiro.
Para o governo americano, o PCC representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos Estados Unidos. Segundo as autoridades, integrantes da facção mantêm atuação principalmente no estado da Flórida, onde desenvolveriam operações destinadas à lavagem de recursos provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades criminosas.
Em janeiro deste ano, o FBI, agência federal de investigação dos Estados Unidos, prendeu seis integrantes da célula da organização instalada na Flórida. Posteriormente, eles foram denunciados perante a Justiça Federal americana por supostos crimes relacionados à lavagem de dinheiro. As novas sanções, segundo o Departamento do Tesouro, têm como foco enfraquecer a estrutura financeira da organização com atuação no Brasil.
"O crime organizado no Ocidente não pode ser autorizado a estabelecer operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a desordem", afirmou Gene Lange, que exerce as funções de subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira.
As investigações também apontam que uma operação de lavagem de dinheiro atribuída ao PCC teria movimentado mais de US$ 190 milhões em apenas sete meses. Segundo o comunicado, a estrutura utilizava uma rede chinesa de distribuição de produtos eletrônicos e uma plataforma chinesa de comércio eletrônico para realizar as transações financeiras.
As medidas adotadas determinam o bloqueio de todos os bens e interesses patrimoniais dos sancionados que estejam localizados nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos. Além disso, empresas e pessoas vinculadas aos Estados Unidos ficam, em regra, proibidas de realizar transações com os alvos das sanções. Instituições financeiras estrangeiras que mantenham relações comerciais relevantes com os sancionados também poderão ser submetidas a restrições.
Esta é a terceira ocasião em que o Ofac impõe sanções relacionadas ao PCC. A primeira ocorreu em dezembro de 2021, em razão de suposto envolvimento da facção com o tráfico internacional de drogas. Em março de 2024, o órgão também aplicou medidas contra Diego Macedo Gonçalves do Carmo, apontado pelas autoridades americanas como operador financeiro da organização criminosa.
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da Redação