Gui Santos e a nova onda: o Brasil está finalmente reconstruindo seu caminho até a NBA?

Gui Santos virou peça do Golden State Warriors e sonha jogar ao lado do irmão Edu. A história que pode reerguer o basquete brasileiro na NBA

Ler na área do assinante

Por muito tempo, falar de brasileiro na NBA virou exercício de nostalgia. A gente lembrava de Nenê, de Leandrinho, de Anderson Varejão e Tiago Splitter, e logo emendava com aquela pergunta meio resignada: cadê a nova geração? Pois ela existe, tem rosto, sobrenome e história de família. E o nome que está reabrindo essa porta atende por Gui Santos.

Do fim do Draft à rotação do Warriors

Aos 23 anos, o ala do Golden State Warriors viveu na temporada 2025/26 a virada que transforma promessa em realidade. Escolhido apenas na 55ª posição do Draft de 2022, praticamente no fim da lista, Gui era o tipo de jogador que a maioria das franquias esquece em poucos meses. Passou pela G League, defendeu o Santa Cruz Warriors, esperou sua vez. Quando uma sequência de lesões abriu espaço no elenco de San Francisco, ele não devolveu a vaga.

A ascensão também aumentou o interesse do público brasileiro pela NBA, tanto nas análises de desempenho quanto no mercado de apostas esportivas, especialmente em plataformas com bets com cobertura de basquete e licença SPA/MF no Brasil, onde jogos dos Warriors e estatísticas individuais passaram a ganhar ainda mais atenção.

Começou 28 dos 31 últimos jogos da temporada e, nesse período, registrou médias de 15,3 pontos, 5,7 rebotes e 4,0 assistências, acertando mais da metade dos arremessos de quadra. Em eficiência entre jogadores com menos de 25 anos, terminou o ano apenas atrás de feras como Victor Wembanyama.

A liga reconheceu. Em fevereiro, o Warriors assinou com Gui uma extensão de três anos e 15 milhões de dólares, colocando o brasileiro entre os atletas mais bem pagos do país na história da NBA. O técnico Steve Kerr, nove vezes campeão entre quadra e banco, foi direto: disse que Gui jogará na NBA por muito tempo. Stephen Curry elogiou a leitura de jogo e o toque refinado do companheiro. Para quem entrou sem contrato garantido e sem holofotes, é uma reviravolta e tanto. Mas a parte mais bonita dessa história não está em San Francisco. Está em São Paulo.

Edu Santos, o caçula que promete superar o irmão

O sobrenome Santos respira basquete. O pai, Deivisson, passou por Franca, São José e Minas. A mãe, Lucineide, foi jogadora em Brasília. E o caçula da casa promete superar o irmão mais velho. Eduardo Santos, o Edu, tem 16 anos, mede 2,06 metros e já carrega um currículo que assusta: foi MVP do Campeonato Brasileiro Sub-17 em 2025, com médias de 22 pontos e 11 rebotes por jogo, e campeão sul-americano da categoria como titular da seleção de base. Em fevereiro de 2026, fez sua estreia como profissional no NBB defendendo o Pinheiros, e poucos dias depois foi convidado a treinar com a Seleção Brasileira principal em Belo Horizonte. Tudo isso ainda adolescente.

O próprio Gui não economiza palavras quando o assunto é o irmão. Disse que o futuro de Edu será maior do que o dele, que o garoto já joga mais do que ele jogava na mesma idade, e cravou o sonho que move a família: tornarem-se os primeiros irmãos brasileiros a atuar na NBA. É a tal história de dois irmãos, um sonho, que poderia soar piegas se não estivesse sustentada por números e por convocações reais. O plano de levar Edu para os Estados Unidos, em busca de aprimoramento técnico e da intensidade do basquete americano, segue de pé. A diferença é que agora ele chega lá com bagagem, não como aposta no escuro.

Uma onda, não um nome isolado

E não para por aí. A nova onda tem mais nomes. Tristan da Silva, filho de pai brasileiro e nascido em Munique, foi escolhido na 18ª posição do Draft de 2024 pelo Orlando Magic e fechou a temporada com 9,9 pontos de média em 77 jogos, vários deles como titular. Por ter dupla nacionalidade, ele ainda pode optar por vestir a camisa amarela da seleção brasileira, o que seria um reforço e tanto. Mais atrás na fila aparece Nathan Mariano, jovem na órbita do Phoenix Suns, parte de uma safra que volta a colocar olheiros da NBA de olho no Brasil. Não é mais um único representante isolado. É um pequeno pelotão se formando.

De Oscar Schmidt à geração de ouro

Para entender por que isso importa, vale lembrar de onde viemos. A chamada geração de ouro brasileira na liga teve seu auge no fim dos anos 2000 e começo dos 2010. Nenê foi o primeiro brasileiro escolhido na primeira rodada de um Draft. Leandrinho Barbosa ganhou o prêmio de Sexto Homem do Ano e ainda faturou um anel de campeão. Tiago Splitter foi campeão da NBA pelo San Antonio Spurs em 2014. Varejão virou ídolo absoluto da torcida de Cleveland ao longo de mais de uma década. E, antes de todos eles, houve o gigante que disse não: Oscar Schmidt, o Mão Santa, maior pontuador da história do basquete, que recusou a NBA para defender o Brasil e ajudou a seleção a vencer os Estados Unidos em pleno solo americano no Pan de 1987. Depois daquele pico, porém, a torneira foi fechando. O país chegou a não ter sequer três representantes regulares na liga desde 2017.

Reconstrução de verdade ou suspiro isolado?

A pergunta honesta, então, é se estamos diante de uma reconstrução de verdade ou de mais um suspiro isolado. Há motivos para otimismo cauteloso. Projetos como a estruturação das categorias de base, a presença mais constante de olheiros americanos em torneios sub-18 e o amadurecimento do NBB como vitrine criaram um caminho mais claro do que aquele trilhado na raça pelas gerações anteriores. Gui Santos é a prova viva de que dá para sair de uma quadra mineira e virar peça de uma das franquias mais valiosas do mundo. Edu Santos é a evidência de que o talento está vindo de baixo, e mais cedo.

Esse novo interesse pelo basquete brasileiro também aparece fora das quadras, no crescimento das comunidades digitais, das análises de desempenho e até da busca por informações ligadas ao mercado de apostas, como o código de acesso Stake para cadastro na plataforma, em um cenário em que NBA, NBB e jovens talentos nacionais ganham mais visibilidade.

Ainda são poucos, é verdade, e o basquete brasileiro segue brigando por atenção e investimento num país onde o futebol engole quase tudo. Mas, pela primeira vez em quase uma década, a sensação não é de despedida. É de chegada.

Se o sonho dos irmãos Santos se concretizar, e se Tristan da Silva escolher defender o Brasil, a seleção pode ter, em poucos anos, uma base com sangue NBA correndo nas veias. Seria o renascimento que tanta gente esperava. A bola, como sempre, está quicando. Resta saber se desta vez o Brasil vai saber aproveitar o rebote.

E você, acredita que essa nova geração finalmente vai recolocar o basquete brasileiro no mapa da NBA, ou ainda falta muito chão até lá?

Ler comentários e comentar