Há povos que discutem inteligência artificial, produtividade, inovação, segurança pública e desenvolvimento científico, porém na imaginária República de Bananas, a pauta costuma descer alguns andares.
Expressões chulas, gestos de duplo sentido e frases de efeito passam dias ocupando manchetes, redes sociais, discursos inflamados e intermináveis mesas-redondas de especialistas em absolutamente nada, enquanto os problemas de verdade observam tudo de camarote, agradecidos pela preciosa distração.
Há quem transforme qualquer grosseria em demonstração de coragem, como se substituir argumentos por provocações fosse um novo método de governar, outros respondem na mesma moeda e a plateia aplaude o espetáculo como se estivesse diante de um campeonato nacional de deselegância.
É curioso perceber que, na República de Bananas, quanto menor o nível do debate, maior costuma ser a convicção dos debatedores e talvez por isso a célebre recomendação de uma antiga ministra do Turismo — "Relaxe e goze!" — tenha atravessado anos (anos mesmo sem “u”) como um retrato involuntário da política nacional.
A frase sobreviveu ao cargo, aos governos e às crises, como se resumisse a filosofia administrativa de quem prefere anestesiar a indignação em vez de enfrentar os problemas.
Enquanto índices preocupantes se acumulam, enquanto cidadãos aguardam soluções concretas e enquanto o futuro cobra responsabilidade, a elite dirigente continua empenhada em transformar o debate público num imenso festival de infantilidades, a partir de um gesto do Presidente mostrando o dedo do meio sugerindo que o famoso “FIO TERRA” é sempre salutar para relaxar e advertir que “SABENDO USAR NÃO VAI FALTAR”.
A vantagem dessa estratégia é evidente pois quando todos discutem a última provocação, ninguém pergunta pela última solução e assim segue a República de Bananas, onde a fumaça das polêmicas serve para esconder o incêndio dos problemas reais. Contestar, pra quê? Afinal, distrações sempre foram mais baratas do que competência.
José H.C. Abreu.
Articulista