Brasil: “Sparring” da seleção da Noruega

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Sparring é um termo originário do inglês. Deriva do verbo ‘to spar’, que significa treinar para uma luta, praticar golpes ou preparar um atleta para um combate verdadeiro. Em outras palavras, o sparring é aquele adversário que entra em cena para ajudar o outro a evoluir, normalmente sem oferecer grande resistência.

Infelizmente, essa foi a sensação deixada pela Seleção Brasileira na partida desta noite.

Durante boa parte do jogo, o Brasil não conseguiu impor seu estilo.

Pelo contrário. Permitiu que a Noruega controlasse o ritmo da partida, dominasse o aspecto físico do confronto e ocupasse os espaços com naturalidade.

Os jogadores noruegueses, mais fortes fisicamente, venciam a maioria dos duelos individuais.

Bastava um contato mais firme para que a posse de bola mudasse de lado. Faltou intensidade. Faltou imposição. Em muitos momentos, parecia que havia apenas uma equipe ditando as regras dentro de campo.

O placar poderia até ter contado outra história, mas o futebol vai muito além do resultado final.

Dois pênaltis marcaram a partida. Um desperdiçado. Outro convertido.

Mas reduzir os noventa minutos a esses dois lances seria esconder o verdadeiro roteiro do jogo.

O que se viu foi uma Seleção Brasileira excessivamente passiva, sem criatividade para romper as linhas adversárias e sem força para responder à intensidade física imposta pela Noruega.

A impressão deixada foi incômoda. Não parecia o Brasil enfrentando um adversário. Parecia o Brasil servindo de preparação para uma equipe que sabia exatamente o que queria fazer em campo, quem sabe levar a taça.

Naturalmente, uma partida não define uma geração nem condena um trabalho. O futebol é dinâmico e oferece oportunidades de recuperação.

Mas algumas atuações deixam sinais de alerta. E o principal deles talvez seja este: A camisa da Seleção Brasileira continua sendo uma das mais respeitadas do mundo. Mas respeito se conquista a cada jogo. E, nesta noite, quem deu as cartas foi a Noruega.

Ao menos esse resultado, apesar de dolorido para os brasileiros, não servirá de palanque político ou propaganda eleitoral gratuita.

Foto de Jayme Rizolli

Jayme Rizolli

Jornalista.

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