Pedido da PGR pode atingir Flávio Bolsonaro em cheio às vésperas da eleição
06/07/2026 às 16:43 Direito e Justiça
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se nesta segunda-feira (6) pela continuidade da investigação envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. No parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que a Polícia Federal (PF) realize o depoimento do parlamentar no inquérito que apura um suposto crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Gonet, a oitiva do senador ainda é necessária e possui relevância para a conclusão do caso. Em sua manifestação, o procurador afirmou:
"Remanesce a necessidade de oitiva do Sr. Flávio Nantes Bolsonaro, medida de especial relevância, sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentar o investigado de pena."
Na sequência, acrescentou:
"A manifestação é, assim, pelo retorno dos autos à Polícia Federal a fim de que seja realizada a oitiva do investigado. Após, requer nova concessão de vistas para manifestação sobre o relatório conclusivo das investigações."
A apuração teve origem em uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X, em 3 de janeiro de 2026. Na postagem, o senador atribuiu ao presidente da República a prática de diversos crimes, entre eles tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras e fraudes em eleições.
O parlamentar também compartilhou uma montagem que associava imagens de Lula ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acompanhada da afirmação de que o presidente brasileiro "será delatado".
Em relatório concluído no mês passado e encaminhado ao STF, a Polícia Federal sustentou que houve falsa imputação de crimes ao presidente da República. O documento afirma:
"Resta claro o cometimento, pelo Exmo. Sr. Senador Flavio Nantes Bolsonaro, do crime tipificado no art. 138 c/c art. 141, inciso I e § 2° do Código Penal. Posto isto, encerram-se os trabalhos de Polícia Judiciária, remetendo-se os presentes autos para apreciação e demais providências que se entendam pertinentes, permanecendo este órgão policial à disposição para eventuais outras diligências que sejam imprescindíveis à apuração do fato."
Ao analisar o conteúdo da publicação, a Polícia Federal também registrou:
"Tendo em vista o teor da postagem associando a imagem do Presidente Lula ao do ex-Presidente Maduro, que acabara de ser preso, acusado pelos EUA de envolvimento com o tráfico de drogas, alegando que o primeiro seria delatado, fica claro que o Senador afirma que a delação seria feita por Nicolas Maduro, e que, no entendimento do Senador, os crimes pelos quais o Presidente Lula seria delatado estão listados na sequência da postagem, quais sejam, tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras e eleições fraudadas."
A investigação foi instaurada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em 13 de abril de 2026. A abertura do inquérito atendeu a um pedido da Polícia Federal que contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.
Após a conclusão das diligências, a Polícia Federal encaminhou o relatório final ao STF e solicitou a adoção das providências cabíveis. Na sequência, Alexandre de Moraes remeteu os autos à PGR para análise e manifestação sobre o resultado da investigação.
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da Redação