Flávio discursa hoje em Washington e ocupa o espaço diplomático que o Itamaraty não conseguiu preencher
07/07/2026 às 05:54 Política
A frase de Flávio Bolsonaro — "Lula já atrapalhou e vai ser difícil reverter o estrago que ele causou" — não é apenas retórica de pré-candidato em campanha internacional. É constatação de um fato diplomático concreto: o governo que antagonizou Washington em múltiplas frentes agora vê a oposição tentando, sozinha, reverter uma tarifa de 25% que o próprio Itamaraty não conseguiu evitar apesar de meses suplicando por uma reunião entre Lula e Trump.
O ponto mais revelador do episódio é institucional, não pessoal: um senador de oposição comparece à audiência pública do USTR e envia manifestação formal pedindo suspensão da tarifa, ocupando um espaço que deveria ser prerrogativa da diplomacia oficial brasileira. Isso expõe o vácuo de articulação do governo Lula com Washington — vácuo que Flávio já havia explorado antes, quando obteve a classificação de PCC e CV como organizações terroristas.
O argumento de Flávio ao USTR merece registro pela sofisticação política: ele sustenta que manter as tarifas beneficiaria eleitoralmente o próprio Lula, ao reforçar a narrativa de vitimização do governo diante da disputa de outubro. É argumento que tenta desarmar qualquer acusação de que o senador estaria "traindo o Brasil" — ao contrário, ele posiciona a suspensão da tarifa como prejudicial ao adversário político, não como favor a Lula.
As críticas que Flávio recebe por "atrapalhar" as negociações merecem ceticismo: se o governo Lula já não conseguiu evitar a tarifa por canais oficiais, dificilmente a presença de um senador de oposição na audiência piora um cenário que já é desfavorável. A reação de Flávio — "Está de brincadeira!" — capta bem a inconsistência de cobrar silêncio de quem tenta reverter um dano que o Executivo não evitou.
O episódio confirma um padrão observado repetidamente nesta gestão: quando o Itamaraty falha em construir pontes com Washington, é a oposição que acaba preenchendo o espaço de interlocução — com resultados às vezes mais efetivos que a diplomacia oficial. Vale acompanhar o discurso de Flávio nesta terça-feira (7) às 11h para medir se o USTR sinaliza abertura real à suspensão ou se a tarifa segue como carta de pressão comercial independentemente da pressão política interna brasileira.
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da Redação