
Moraes ordena apreensão de armas de Bolsonaro, mas descobre algo inesperado

07/07/2026 às 15:20 Direito e Justiça

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro comunicou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que uma espingarda registrada em nome do ex-chefe do Executivo permanece, desde a sua aquisição, nas instalações da empresa Maragato BR Importações de Artigos Bélicos, localizada em Caxias do Sul (RS). Segundo os advogados, por esse motivo o armamento não foi entregue à Polícia Federal (PF).
A manifestação foi protocolada na segunda-feira, 6, em resposta ao registro do Exército Brasileiro de que duas armas vinculadas ao nome de Bolsonaro não estavam entre os equipamentos encaminhados à Polícia Federal para cumprimento da determinação judicial.
De acordo com a petição apresentada ao STF, a espingarda Maestro Arms Company calibre 12 foi recebida pelo ex-presidente como presente, mas nunca chegou a ser retirada da empresa responsável pelo armamento. O documento afirma:
“Isso porque o referido armamento, recebido pelo peticionário a título de presente, nem sequer chegou a ser retirado das dependências da empresa, circunstância que explica sua permanência naquele estabelecimento comercial até o presente momento”.
Apesar da explicação sobre a espingarda, a defesa não informou onde está a outra arma mencionada pelo Exército, uma pistola Glock calibre 9×19 mm Parabellum, que também não foi localizada durante o levantamento realizado pela corporação militar.
Conforme informações prestadas pelo comandante do Batalhão de Polícia do Exército, tenente-coronel Caio de Vargas Lisbôa, seis armas registradas em nome de Bolsonaro foram encaminhadas à Polícia Federal. Entretanto, a espingarda Maestro Arms Company calibre 12 e a pistola Glock calibre 9×19 mm não foram encontradas nas dependências da unidade militar.
Entre os armamentos entregues à Polícia Federal estão uma pistola Taurus calibre .40 S&W, um fuzil Springfield Armory calibre 7,62×51 mm, uma espingarda Typhoon calibre 12 GA, uma pistola Arex calibre 9×19 mm e uma pistola SIG Sauer calibre 9×19 mm. Todos os equipamentos são classificados como de uso restrito.
O caso ganhou novos desdobramentos em junho, quando uma arma registrada em nome de Bolsonaro foi apreendida pela Polícia Militar do Distrito Federal durante uma abordagem envolvendo um agente de segurança. O episódio levou à abertura de um inquérito para apuração dos fatos.
Ao prestar depoimento, o ex-presidente confirmou que a arma apreendida era de sua propriedade e declarou que ela permanecia em sua residência, situada no condomínio Solar de Brasília, durante o período em que cumpria prisão. Segundo o relato apresentado às autoridades, Bolsonaro justificou a permanência do armamento afirmando que “tem três mulheres em casa” e, portanto, não poderia ficar desarmado.
No curso das investigações, o ministro Alexandre de Moraes determinou que todas as armas de fogo registradas no Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) de Jair Bolsonaro sejam entregues à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para as providências cabíveis.
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