Desesperado, ministro acusado de crime grave tenta a "última saída"
10/07/2026 às 10:50 Direito e Justiça
A defesa do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, anexou ao processo que investiga denúncias de importunação sexual uma série de laudos médicos para sustentar que o estado de saúde do magistrado seria incompatível com uma das acusações apresentadas contra ele. O procedimento também tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os documentos médicos, aos quais a reportagem teve acesso, apontam que Buzzi apresenta disfunção erétil de origem multifatorial, ausência de libido, hipogonadismo — condição caracterizada pela produção insuficiente de testosterona e/ou espermatozoides pelos testículos —, além de ausência de ejaculação anterógrada.
Segundo a defesa, exames e avaliações assinados por um médico urologista também registram que o ministro possui histórico de cirurgia na próstata, diabetes, hipertensão arterial, faz uso contínuo de medicamentos e convive com outras condições clínicas que comprometem sua função sexual.
O laudo, datado de 6 de fevereiro de 2026, conclui que o conjunto de elementos clínicos apresentados “não respalda hipótese de função sexual exacerbada”, indicando comprometimento da função sexual masculina.
Os advogados afirmam que a documentação foi juntada aos autos para contestar o relato de uma das denunciantes. De acordo com o depoimento prestado por ela às autoridades, durante um banho de mar em Balneário Camboriú (SC), o ministro teria tentado segurá-la enquanto estaria com o pênis ereto.
Em seu testemunho, a jovem declarou que conseguiu sentir a genitália do magistrado pressionando seu corpo porque ele usava apenas shorts e sunga durante o episódio. A defesa, por sua vez, sustenta que as condições médicas descritas nos exames tornariam inviável a situação narrada.
Além dos laudos, os advogados anexaram ao processo o depoimento de uma testemunha que afirmou ter presenciado os dois no mar. Segundo esse relato, ambos permaneceram separados por aproximadamente um metro e meio durante o período em que estavam na água, sem qualquer contato físico. A testemunha acrescentou apenas que, ao deixarem o mar, o ministro ofereceu a mão para auxiliar a jovem na saída.
Marco Buzzi está afastado do STJ desde fevereiro deste ano. A primeira investigação teve início após uma jovem de 18 anos, filha de amigos do magistrado, acusá-lo de importunação sexual durante uma viagem de férias em Balneário Camboriú (SC).
Conforme a denúncia, os fatos teriam ocorrido em janeiro deste ano, quando ambos entraram no mar. A jovem afirmou que o ministro tentou agarrá-la em três oportunidades. Buzzi nega as acusações.
Posteriormente, uma servidora terceirizada do Superior Tribunal de Justiça também apresentou denúncia de importunação sexual contra o magistrado. Além da apuração conduzida no âmbito do STJ, o caso é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
No dia 11 de junho deste ano, aproximadamente 20 testemunhas foram ouvidas pelo Superior Tribunal de Justiça como parte da instrução do procedimento disciplinar relacionado às acusações.
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da Redação