Aliados há mais de 40 anos, Jaques Wagner e Rui Costa (PT) dizem em público que seguem afinados. Nos bastidores da política baiana, porém, interlocutores descrevem uma disputa aberta por poder, pela vaga ao Senado em 2026 e pelo comando do projeto petista no estado.
A rivalidade tem símbolos antigos. Na Bahia, Rui era o “Correria”, pelo ritmo acelerado, em oposição ao “Wagareza”, alcunha que a oposição colava em Wagner pela suposta lentidão. Em Brasília, Rui ganhou um novo apelido entre colegas: “Rui Grosseria”, pelo temperamento áspero.
Segundo relatos de bastidores, o Senado nunca foi o plano original de Rui. Ele mirava o retorno ao Palácio de Ondina e teria articulado para tirar Jerônimo Rodrigues da reeleição, mas foi barrado pelos próprios aliados. Com Wagner sustentando a recondução de Jerônimo, Rui comprou a briga pela cadeira no Senado.
Na Casa Civil, o estilo duro de Rui rendeu atritos por toda a Esplanada. Fernando Haddad virou seu principal antagonista e inclusive teria passado a evitar reuniões sem Lula.
Em junho de 2026, Wagner deixou a liderança do governo no Senado após ser alvo de operação da PF no caso Banco Master. A saída veio em meio à pressão de aliados e ao chamado “fogo amigo”. Interlocutores avaliam que o desgaste enfraquece Wagner justamente na queda de braço com Rui.
Já senador, Ângelo Coronel seria candidato natural à reeleição na base. Mas a chapa “puro-sangue”, só com petistas nas duas vagas, o deixou sem espaço. Ele rompeu, trocou de partido levando os filhos e aderiu à oposição de ACM Neto, que caminha para finalmente expurgar o PT do comando do governo na Bahia.
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da Redação