
Vaza a inacreditável "justificativa" de Moraes para mandar PF na casa de Bolsonaro

08/07/2026 às 11:15 Direito e Justiça

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma nova operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro após identificar supostas inconsistências entre as informações apresentadas por sua defesa e os registros oficiais relativos às armas de fogo vinculadas ao ex-chefe do Executivo.
Na decisão, Moraes afirmou que a medida era necessária para garantir o cumprimento integral da ordem judicial relacionada à entrega do armamento. Segundo o magistrado, havia a necessidade de eliminar qualquer incerteza sobre a eventual permanência de armas sob posse direta ou indireta de Jair Messias Bolsonaro.
A operação foi realizada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira. De acordo com os advogados do ex-presidente, nenhuma arma foi localizada durante o cumprimento do mandado.
Em sua determinação, o ministro registrou:
“A discrepância entre as informações constantes dos autos e aquelas posteriormente apresentadas pela Defesa torna imprescindível a adoção de busca e apreensão domiciliar a fim de assegurar o efetivo cumprimento da ordem judicial de entrega integral das armas de fogo e afastar qualquer dúvida quanto à permanência de armamentos sob a posse, direta ou indireta, do condenado Jair Messias Bolsonaro”.
Além da busca, Moraes ordenou que os agentes da Polícia Federal realizassem a localização e apreensão de todas as armas de fogo, munições, acessórios e respectivos documentos de registro que eventualmente estivessem no imóvel.
O registro de porte de armas de Bolsonaro havia sido revogado por determinação do ministro do STF. Conforme informado pela defesa, o ex-presidente possuía dez armas registradas em seu nome, sendo que oito estariam sob responsabilidade do Exército Brasileiro e duas permaneceriam com a Polícia Federal.
Entretanto, as informações encaminhadas pelo Exército ao Supremo indicaram um cenário diferente. Segundo a instituição, apenas seis armas estavam efetivamente sob sua guarda, permanecendo duas sem localização confirmada.
Em manifestação apresentada nesta semana, a defesa esclareceu que uma dessas armas — uma espingarda — foi recebida como presente por Bolsonaro, mas jamais chegou a ser retirada da loja localizada em Caxias do Sul. Já a segunda arma, uma pistola, estaria sob custódia da Polícia Civil após ter sido apreendida durante uma blitz de trânsito.
Ao analisar essa explicação, Alexandre de Moraes observou que a versão apresentada sobre a pistola não coincidia com os registros existentes no processo. O ministro destacou ainda que a defesa não apresentou documentação considerada suficiente para comprovar onde a arma estava, quem seria o responsável por sua guarda ou a regularidade dessa custódia.
Na decisão, Moraes ressaltou que a narrativa referente à pistola “diverge dos dados constantes dos registros existentes e não foi acompanhada de documentação idônea capaz de comprovar a efetiva localização do armamento, a identidade do suposto depositário ou a regularidade da alegada custódia”.
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