Esposa de ministro que coordena a campanha de Lula é denunciada duas vezes por corrupção
09/07/2026 às 11:19 Direito e Justiça
O Ministério Público Federal apresentou na Justiça Federal do Piauí duas denúncias contra a conselheira do Tribunal de Contas do Estado Rejane Ribeiro Sousa Dias, que é esposa do coordenador da campanha à reeleição do presidente Lula, o ministro do Desenvolvimento Social, o ex-governador Wellington Dias. Rejane Dias é acusada de corrupção em função de superfaturamento de contratos e desvios ocorridos no período em que ela ocupou o cargo de secretária de Educação do Estado, entre 2015 e 2018, período em que o marido governou o Piauí. Segundo a investigação, os pregões fraudulentos podem ter ocasionado desvios que ultrapassam 50 milhões de reais.
Rejane responderá a duas denúncias por improbidade administrativa e dano ao erário. Uma delas se originou de investigação instaurada para apurar “graves irregularidades” na Secretaria de Educação, envolvendo recursos federais. Empresas prestadoras de serviços de transporte escolar, segundo o inquérito, tinham de pagar propina para receber pagamentos do Estado.
O esquema criminoso operava em três pilares: a exigência de pagamento de propina de até 50% dos valores do contratos, registros falsos em sistemas de desembolsos do Estado e desvio de finalidade de verbas federais, pelos quais os recursos do Tesouro Nacional eram transferidos indevidamente para as contas estaduais para burlar o controle de despesas.
O “núcleo de agentes públicos” das organização criminosa, segundo a denúncia, era liderado pela então secretária Rejane Dias que, “com pleno conhecimento do esquema, adjudicou e homologou processos licitatórios viciados”, diz o MPF. Sem a atuação de Rejane, a organização criminosa não teria logrado êxito no direcionamento dos contratos superfaturados, acrescenta o MPF.
A segunda denúncia discorre sobre um esquema de desvio de recursos federais no transporte escolar da Secretaria de Educação do Piauí, decorrentes de dispensa de licitação e pregão. Segundo o MPF, a secretaria ignorou deliberadamente a aquisição posterior de frota própria, o que gerou uma superestimativa de rotas e alunos que não condizia com a realidade.
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da Redação