

O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo ultrapassou a impressionante marca de **R$ 1,45 trilhão arrecadados** em impostos nos primeiros meses de 2026. São bilhões entrando diariamente nos cofres públicos, resultado do esforço de trabalhadores, empresários, comerciantes e consumidores que, direta ou indiretamente, sustentam a máquina estatal.
Diante de números tão expressivos, surge uma pergunta inevitável: como um país que arrecada tanto ainda precisa buscar novos empréstimos, inclusive no exterior?
Cada novo financiamento pode representar recursos imediatos para o governo de hoje, mas também significa uma obrigação que se estenderá por muitos anos.
A dívida não desaparece ao fim de um mandato. Ela permanece, atravessa governos e, em muitos casos, acaba sendo quitada por administrações futuras e, principalmente, pelos contribuintes.
O cidadão comum paga impostos ao abastecer o carro, comprar alimentos, adquirir medicamentos, abrir uma empresa ou simplesmente receber seu salário. A expectativa natural é que essa arrecadação seja suficiente para garantir serviços públicos eficientes, infraestrutura, segurança, saúde e educação de qualidade.
Quando, apesar de uma arrecadação trilionária, o Estado continua aumentando seu endividamento, a sociedade tem o direito de perguntar se o problema está na falta de recursos ou na forma como eles são administrados.
A discussão não deveria se limitar à criação de novos tributos ou ao aumento dos já existentes.
Antes disso, seria razoável exigir transparência, eficiência na aplicação do dinheiro público e responsabilidade na gestão das despesas.
Afinal, empréstimos públicos não são presentes. São compromissos financeiros que ultrapassam governos, legislaturas e mandatos. Quem decide contrair a dívida muitas vezes já não estará no poder quando chegar a hora de pagá-la.
E essa talvez seja a reflexão mais importante: o dinheiro é gasto no presente, mas a conta permanece para o futuro. Um futuro que será sustentado pelos mesmos brasileiros que hoje já contribuem com uma das maiores cargas tributárias do mundo.
E a responsabilidade de quem contratou os empréstimos?
Jayme Rizolli
Jornalista.













