Anvisa determina recolhimento imediato de suplementos
09/07/2026 às 18:37 Saúde
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quinta-feira (9), o recolhimento dos suplementos alimentares Cúrcuma Plus e Fenogrego, fabricados pela empresa Alivemed Soluções em Saúde Ltda. Além do recolhimento, a resolução estabelece a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição, propaganda e utilização dos dois produtos em todo o país.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União após a agência identificar inconsistências na documentação apresentada pela fabricante para comprovar a regularidade dos ingredientes e de seus respectivos fornecedores. Segundo a Anvisa, há indícios de que a composição dos suplementos esteja em desacordo com os requisitos previstos na regulamentação sanitária.
No caso do suplemento Cúrcuma Plus, a agência informou que a empresa não conseguiu comprovar a utilização da forma de cúrcuma autorizada para uso em suplementos alimentares. Em vez da documentação referente ao ingrediente previsto nas normas sanitárias, foi apresentado um certificado de análise relacionado a uma substância diferente.
Com isso, a documentação entregue não demonstrou que o produto continha exatamente o ingrediente aprovado pela Anvisa para esse tipo de suplemento.
Já em relação ao suplemento Fenogrego, a irregularidade apontada envolve a origem da matéria-prima utilizada na fabricação. De acordo com a agência, a empresa empregou feno-grego proveniente de um fabricante diferente daquele considerado na autorização sanitária do ingrediente.
Nessas situações, a regulamentação exige que a empresa demonstre a equivalência técnica da matéria-prima fornecida pelo novo fabricante ou obtenha uma avaliação regulatória que inclua esse fornecedor. Como essa comprovação não foi apresentada, a Anvisa concluiu que não havia garantia de que o ingrediente atendia às exigências estabelecidas pela legislação sanitária.
Em nota, a Alivemed Soluções em Saúde Ltda. informou que tomou conhecimento da decisão e afirmou estar cumprindo todas as determinações expedidas pela agência reguladora.
“A empresa reforça que preza pela qualidade, segurança e transparência em todos os seus processos, mantendo diálogo com seus fornecedores, responsáveis técnicos e órgãos competentes para realizar as adequações necessárias. É importante esclarecer que os apontamentos publicados se restringem aos produtos Cúrcuma Plus e Fenogrego e estão relacionados exclusivamente a adequações regulatórias e documentais de constituintes específicos utilizados nas fórmulas”, informou a empresa.
A fabricante também destacou que a medida adotada pela Anvisa “não foi motivada por relatos de problemas de saúde ou efeitos adversos relacionados aos produtos citados”.
No comunicado, a empresa acrescentou:
“Mesmo assim, em respeito às normas vigentes e ao compromisso com seus clientes, a empresa suspendeu a comercialização dos produtos mencionados e já está conduzindo o recolhimento e os demais procedimentos exigidos para regularização documental e revisão técnica junto aos responsáveis envolvidos”, ressaltando ainda que os demais produtos da linha Alivemed não foram atingidos pela decisão e continuam disponíveis normalmente.
Em abril deste ano, a Anvisa já havia publicado uma resolução estabelecendo novas regras para suplementos contendo derivados da Curcuma longa, especialmente curcumina e tetraidrocurcuminoides, substâncias amplamente utilizadas pela indústria de suplementos alimentares.
Entre as mudanças, a agência definiu limites mínimos e máximos para o consumo diário desses compostos. A norma estabelece ingestão mínima de 80 mg de curcuminoides totais por dia, além de limitar a curcumina a 130 mg diários e os tetraidrocurcuminoides a 120 mg por dia.
A atualização da regulamentação ocorreu após avaliações internacionais identificarem casos suspeitos de toxicidade hepática associados ao consumo de suplementos concentrados à base de cúrcuma.
Outra exigência introduzida pela Anvisa determina que os rótulos desses suplementos apresentem alertas informando que o consumo não é recomendado para gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doenças hepáticas, problemas biliares ou úlceras gástricas. A agência também orienta que pessoas em tratamento médico ou com doenças pré-existentes consultem um profissional de saúde antes de utilizar esses produtos.
Para consumidores interessados em suplementos alimentares, a Anvisa recomenda buscar orientação de um profissional de saúde antes da utilização, adquirir produtos apenas em estabelecimentos físicos ou plataformas confiáveis, seguir rigorosamente as doses indicadas e interromper o uso caso surjam efeitos inesperados, procurando imediatamente orientação especializada.
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da Redação