
URGENTE: PF realiza nova operação e atinge o "braço-direito" de Vorcaro

09/07/2026 às 19:30 Direito e Justiça

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (9), a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga a existência de uma estrutura voltada à realização de campanhas coordenadas nas redes sociais para atingir a credibilidade e a atuação do Banco Central. A apuração também envolve suspeitas de intimidação de jornalistas, monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e obtenção indevida de informações sigilosas.
Nesta etapa da operação, os agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão em Brasília. As ordens foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tendo como principal alvo o publicitário Thiago Miranda, apontado pelos investigadores como ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A defesa de Thiago Miranda informou, por meio de nota, que o publicitário não praticou qualquer ato ilegal e afirmou que ele permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF, Thiago Miranda, fundador da agência MiThi, é apontado pela Polícia Federal como o principal articulador de um suposto esquema destinado ao recrutamento de influenciadores digitais e jornalistas. Conforme a investigação, os contratos oferecidos poderiam alcançar valores de até R$ 2 milhões e incluíam cláusulas de confidencialidade.
Segundo a PF, o objetivo da estrutura investigada seria promover campanhas para descredibilizar órgãos públicos, atacar a atuação do Banco Central e influenciar a opinião pública por meio de ações coordenadas.
As investigações também indicam que integrantes do grupo teriam recorrido ao uso de informações obtidas de forma ilícita, incluindo dados financeiros, cadastrais e familiares de jornalistas e concorrentes, com a finalidade de intimidar pessoas consideradas contrárias aos interesses atribuídos ao grupo investigado ou que, segundo a apuração, "incomodavam" Daniel Vorcaro.
Ao autorizar a operação, o ministro André Mendonça determinou a apreensão de documentos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, dispositivos de armazenamento de dados, mídias, bens de elevado valor e quantias em dinheiro superiores a R$ 20 mil.
Na decisão, o magistrado afirma que os elementos reunidos até o momento apontam para uma organização com elevado "grau de periculosidade" e características de "grupo mafioso". Conforme o despacho, a Polícia Federal prossegue com as investigações para identificar outros possíveis integrantes da estrutura.
Os investigadores atribuem a Thiago Miranda papel considerado central na organização das estratégias de comunicação e na coordenação das ações investigadas. Conforme a Polícia Federal, ele seria o principal responsável pelo chamado "Projeto DV", referência às iniciais de Daniel Vorcaro, voltado à proteção da imagem do proprietário do Banco Master.
Ainda segundo a investigação, o publicitário teria participado da contratação de agências para estruturar campanhas de desinformação e do recrutamento de influenciadores digitais e profissionais da imprensa mediante ofertas financeiras que poderiam chegar a R$ 2 milhões para publicações coordenadas questionando decisões de instituições públicas, entre elas medidas relacionadas ao Banco Central.
Os investigadores afirmam que os contratos firmados com participantes continham cláusulas rigorosas de confidencialidade, acompanhadas de multas elevadas em caso de descumprimento.
A Polícia Federal sustenta ainda que, quando as propostas financeiras eram recusadas, o grupo recorria, supostamente, a práticas de assédio, intimidação e coação utilizando informações privadas obtidas por meio de plataformas clandestinas de consulta de dados.
Conforme o material reunido durante a investigação, Thiago Miranda teria coordenado equipes encarregadas de levantar informações sobre a vida pessoal, patrimonial, profissional e financeira de pessoas consideradas desafetas ou capazes de representar riscos à reputação e aos interesses de Daniel Vorcaro.
Entre os nomes mencionados nas investigações estão a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e o empresário Milton Maluhy Filho, do Itaú Unibanco. Segundo a Polícia Federal, relatórios contendo dados civis e fiscais dessas pessoas circularam sob orientação atribuída ao publicitário.
Os investigadores também apontam que Thiago Miranda mantinha contato com jornalistas e veículos de comunicação em iniciativas voltadas à gestão de crises, buscando reduzir os impactos de reportagens negativas envolvendo Daniel Vorcaro e negociar a retirada de conteúdos considerados prejudiciais aos interesses do grupo investigado.
Ainda conforme a apuração, os pagamentos destinados a influenciadores e intermediários seriam realizados pelo próprio Thiago Miranda com recursos provenientes de empresas ligadas a Daniel Vorcaro.
Reportagens também apontam que o publicitário teria intermediado o contato entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) relacionado ao financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal também investiga possíveis tentativas de interferência em apurações criminais. Segundo a corporação, os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.
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