Folha avalia como “mau sinal” a esquerda não aceitar derrota na Colômbia. Aqui no Brasil foi “tentativa de golpe”...
10/07/2026 às 09:48 Opinião
Para a militância de redação da Folha, quando a esquerda rejeita um resultado, sem apresentar uma única evidência de manipulação a favor do candidato que venceu, isso é só um "mau sinal". Um deslize de temperamento. Nada que o comportamento de Petro configure tentativa de golpe.
Curioso. O que a redação chama de "mau sinal" é um presidente em exercício que responde a inquérito criminal por interferência eleitoral em favor do seu candidato, com base no artigo do Código Penal colombiano que tipifica a intervenção política de agente público. É um presidente que se recusa a reconhecer a legitimidade do governo eleito, convoca marchas antes da transferência de poder e fala em anular o segundo turno. É um governo sob acusação de coerção eleitoral em regiões inteiras entregues ao crime organizado, onde seções despejaram a quase totalidade dos votos no candidato oficial. Missões internacionais, incluindo a da OEA, descartaram fraude. O golpe, se há um, não vem das urnas: vem de quem perdeu e não aceita.
Agora inverta os personagens. No Brasil, questionamentos e protestos da direita, num processo eleitoral marcado por censura judicial e perseguição, viraram "tentativa de golpe", tese, inquérito, prisão. Manifestação política tratada como crime.
A régua é essa. Quando a esquerda rejeita resultado, é só um "mau sinal". Quando a direita questiona, é inimigo a ser preso. E há quem ainda chame isso de "jornalismo profissional".
Leandro Ruschel.
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da Redação