"Pivô" da briga entre Michelle e Flávio inesperadamente assume como deputada na Câmara
10/07/2026 às 16:02 Política
A vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), presidente do PL Mulher no Ceará, passará a integrar a Câmara dos Deputados após a oficialização da perda do mandato da deputada Dayany Bittencourt (União Brasil-CE). A mudança ocorre em meio às divergências internas entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro sobre os rumos políticos do Partido Liberal no estado.
A substituição foi formalizada depois que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), publicou os atos que confirmaram a perda dos mandatos de Dayany Bittencourt e de Paulão (PT-AL). As decisões cumprem determinações da Justiça Eleitoral decorrentes da retotalização dos votos das eleições de 2022 no Ceará e em Alagoas. Com isso, Priscila Costa assume a vaga destinada ao Ceará, enquanto Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL) ocupará a cadeira anteriormente pertencente a Paulão.
A Mesa Diretora da Câmara apenas formalizou o cumprimento das decisões judiciais, sem necessidade de votação em plenário. O procedimento segue o que estabelece o artigo 55 da Constituição Federal para casos de perda de mandato decorrentes de decisões da Justiça Eleitoral.
No caso de Paulão, a alteração foi motivada pela retotalização dos votos para deputado federal em Alagoas, conforme decisão comunicada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL). Já a substituição de Dayany Bittencourt ocorreu após nova totalização dos votos determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que modificou a distribuição das cadeiras destinadas ao Ceará.
A chegada de Priscila Costa à Câmara acontece em um momento de forte desgaste entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. O desentendimento ganhou repercussão nacional após a ex-primeira-dama divulgar um vídeo nas redes sociais afirmando ter sido desrespeitada e maltratada pelo senador durante uma conversa telefônica.
A divergência tem como pano de fundo a estratégia eleitoral do Partido Liberal no Ceará. Michelle Bolsonaro defende que a legenda mantenha uma candidatura alinhada ao núcleo mais identificado com o bolsonarismo, manifestando apoio ao senador Eduardo Girão (Novo). Já Flávio Bolsonaro participou das negociações que resultaram no apoio do partido ao deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL), dentro da composição política firmada com o PSDB.
Outro ponto central do impasse foi a disputa pela indicação do PL ao Senado no estado. Michelle apoiava a candidatura de Priscila Costa, enquanto Flávio defendia Alcides Fernandes. Segundo a ex-primeira-dama, a vereadora teve participação relevante na campanha de André Fernandes à Prefeitura de Fortaleza em 2024, mas acabou sendo retirada da disputa para viabilizar o acordo político estadual.
Na última semana, Michelle afirmou que Priscila Costa foi "maltratada" durante as negociações internas do partido e acusou aliados de Flávio Bolsonaro de articularem sua retirada da disputa ao Senado.
A crise culminou no rompimento político entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro e também na saída da ex-primeira-dama da presidência do PL Mulher. Em seguida, ela anunciou a criação do movimento "Imparáveis MB", que será coordenado por sua própria equipe. Em comunicado divulgado nas redes sociais, o grupo informou que Michelle Bolsonaro "não vai parar", apesar das mudanças promovidas na estrutura partidária.
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da Redação