O tarifaço chinês e a conivência da putrefata mídia brasileira, que ‘repercute’ o silêncio

Ler na área do assinante

Enquanto a simples ameaça dos Estados Unidos de impor tarifas ao Brasil recebe enorme atenção, as medidas protecionistas da China são ignoradas.

O atual governo de esquerda considera a China como parceiro estratégico e prioriza o comércio com Pequim.

Hoje, a China é o principal parceiro comercial do Brasil. Compra soja, minério de ferro, petróleo e carne em volume gigantesco.

Os Estados Unidos estão em segundo lugar e agora são retratados como vilões do protecionismo, enquanto o protecionismo chinês, muito mais amplo, é relativizado.

O mau é bom, mas o bom é mau. Protecionismo só é ruim quando vem do lado “errado”.

Vamos aos fatos. Em 2025, o governo Trump impôs 10% de tarifa base às exportações brasileiras, podendo chegar a 40%, totalizando efetivamente até 50% em muitos produtos. A justificativa oficial foi de práticas comerciais injustas, desmatamento, tarifas brasileiras sobre etanol e, principalmente, o julgamento de Jair Bolsonaro. Muitos produtos estratégicos foram isentos, como aviões da Embraer, minério de ferro, energia, fertilizantes etc.

Em junho de 2026, após investigação iniciada em 2025, o USTR concluiu o processo da Seção 301 e propôs 25% adicionais sobre ampla gama de produtos brasileiros.

Para quem não sabe, a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974 (Trade Act of 1974) permite que o governo dos Estados Unidos, especificamente o USTR — United States Trade Representative, o Representante de Comércio, investigue e reaja de forma unilateral contra práticas de outros países que considere prejudiciais ao comércio americano.

A imprensa publica manchetes como “Trump ataca o Brasil”, “guerra comercial”.

Enquanto isso, em 1º de janeiro de 2026 a China aplicou uma salvaguarda — medida protecionista clássica — sobre importações de carne bovina, que a mídia praticamente ignorou.

A cota anual para o Brasil em 2026 foi estabelecida em 1,106 milhão de toneladas com tarifa normal, ou cerca de 12%. Acima dessa cota será aplicada mais 55% de tarifa adicional. A alíquota efetiva chega a cerca de 67%, praticamente proibitiva para muitos cortes.

Essa cota é menor que o volume exportado no ano anterior, então o excedente já está ou logo estará pagando a sobretaxa pesada. Em 2025, o Brasil exportou para a China quase metade de todas as exportações brasileiras de carne bovina.

A medida foi anunciada de forma discreta no final de 2025 para proteger os pecuaristas chineses do excesso de importações. A China age de forma silenciosa, com a conivência da mídia, que “repercute” o silêncio.

Todos os países protegem seus interesses quando acham necessário — EUA, China, UE, Brasil —, que também tem tarifas altas em vários setores.

As maiores tarifas de importação cobradas pelo Brasil chegam a 60% em compras pequenas internacionais de até $3 mil dólares pelo regime simplificado e atingem principalmente a população mais pobre. Na tarifa normal (TEC do Mercosul), o teto mais comum é de 20%, com picos de até 35% em setores protegidos como automóveis, roupas e calçados. Em 2026, várias tarifas de tecnologia e máquinas foram elevadas para 20%. A carga tributária total, incluindo outros impostos como ICMS e IPI, pode ultrapassar 70% ou 80% em alguns produtos, incluindo combustíveis.

Quem critica duramente as tarifas americanas fica em silêncio sobre a salvaguarda chinesa de 55% na carne e está aplicando dois pesos e duas medidas. A seletividade existe, é real e reflete viés ideológico e geopolítico que não resiste a uma análise consistente.

Lucia Sweet

Jornalista

Ler comentários e comentar
Ler comentários e comentar

Nossas redes sociais

Facebook

Siga nossa página

Seguir página

Twitter

Siga-nos no Twitter

Seguir

YouTube

Inscreva-se no nosso canal

Inscrever-se

Instagram

Siga-nos no Instagram

Seguir

Telegram

Receba as notícias do dia no Telegram

Entrar no canal

Rumble

Inscreva-se no nosso canal

Inscrever-se

Gettr

Siga-nos no Gettr

Seguir

Truth

Siga-nos no Truth

Seguir