Moraes manda soltar ex-prefeito preso durante operação da PF

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), que havia sido preso em flagrante na última terça-feira (7) durante uma operação da Polícia Federal realizada no estado do Rio de Janeiro.

A decisão estabelece que Canella responderá às investigações em liberdade, mas deverá cumprir uma série de medidas cautelares. Entre elas estão o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte às autoridades e a suspensão do porte de arma.

O ex-prefeito foi detido após policiais federais localizarem um fuzil calibre .556 no veículo em que ele estava. Segundo Canella, o armamento pertence ao policial militar responsável por sua segurança. Na avaliação de Alexandre de Moraes, essa alegação ainda precisa ser esclarecida no decorrer da investigação, motivo pelo qual a prisão preventiva não foi mantida neste momento.

A prisão ocorreu durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, investigação conduzida pela Polícia Federal para apurar um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. Conforme a PF, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos, havendo indícios da participação de agentes públicos.

As apurações tiveram início após a elaboração de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com o perfil dos investigados. Além da suspeita de lavagem de dinheiro, a investigação também busca esclarecer possíveis crimes de organização criminosa e eventuais irregularidades em contratos públicos.

Na fase mais recente da operação, a Polícia Federal cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em diferentes municípios fluminenses. Durante as diligências, foram apreendidos aproximadamente R$ 919 mil e US$ 13 mil — cerca de R$ 66,4 mil — em dinheiro, além de um fuzil de uso restrito, nove armas curtas, veículos de luxo, joias, relógios, computadores, celulares e diversos documentos que serão analisados pelos investigadores.

A investigação integra as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que atribuiu à Polícia Federal a apuração de possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas.

Pré-candidato ao Senado nas eleições de 2026, Márcio Canella iniciou sua trajetória política como vereador de Belford Roxo. Posteriormente, exerceu três mandatos como deputado estadual e foi eleito prefeito do município em 2024. Neste ano, renunciou ao cargo para disputar as eleições, sendo sucedido pela então vice-prefeita Mariana Malta (União Brasil).

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da Redação
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