A virada à direita na América Latina: Um sinal para o Brasil
12/07/2026 às 20:16 Opinião
A América Latina vive um momento político de transformação. Após anos de predomínio da chamada "onda rosa", uma nova maré, agora conservadora, varre o continente. Nos últimos meses, essa mudança se acelerou com vitórias expressivas da direita em países que, até pouco tempo, eram considerados bastiões da esquerda sul-americana.
AS VITÓRIAS RECENTES
O marco mais recente dessa virada ocorreu na Colômbia, onde Abelardo de la Espriella, um advogado e empresário sem carreira política anterior, venceu a eleição presidencial em 21 de junho de 2026. Com uma apertada margem de cerca de 250 mil votos, De la Espriella derrotou o candidato do presidente esquerdista Gustavo Petro, consolidando a guinada à direita no país.
No Peru, a vitória de Keiko Fujimori (Fuerza Popular), que deve se juntar ao rol de presidentes de direita na região. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko construiu sua campanha com base em um discurso de linha-dura contra o crime.
Antes desses pleitos, a direita já havia conquistado vitórias importantes:
• No Chile, José Antonio Kast foi eleito em dezembro de 2025.
• Na Bolívia, Rodrigo Paz venceu em outubro de 2025, pondo fim a um longo ciclo do partido MAS no poder.
• No Equador, o conservador Daniel Noboa foi reeleito.
• A Argentina já era governada por Javier Milei.
• Em Honduras, o conservador Nasry "Tito" Asfura venceu a eleição presidencial.
Com esses resultados, a direita já governa sete dos 12 países da América do Sul, um empate técnico com a esquerda que pode se transformar em vantagem com a confirmação de Fujimori no Peru.
O QUE ESTÁ POR TRÁS DESSA ONDA
Especialistas apontam que essa guinada não é necessariamente uma mudança ideológica estrutural, mas uma resposta prática às frustrações da população. Economias frágeis e o aumento da criminalidade vêm remodelando as prioridades dos eleitores. Candidatos de direita têm capitalizado três medos centrais: insegurança pública, colapso institucional e instabilidade econômica. O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, com sua política de linha-dura contra o crime, serve como modelo para muitos desses novos líderes.
E O BRASIL?
O grande ponto de interrogação na região é o Brasil. Com eleições presidenciais marcadas para outubro de 2026, o país pode se tornar o próximo capítulo dessa história. A pauta da segurança pública, que já se mostrou decisiva em eleições passadas, e a insatisfação com a economia são combustíveis para uma possível vitória da direita. O presidente argentino Javier Milei, por exemplo, já confirmou viagem ao Brasil para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, evidenciando a articulação regional.
O FATOR DECISIVO: A CONSCIÊNCIA DO ELEITOR
No entanto, a vitória da direita no Brasil não é uma certeza, mas uma possibilidade que depende da consciência de cada eleitor. O voto não tem sido puramente ideológico; o eleitor está votando com base na frustração, punindo governos que não entregam resultados em áreas como emprego, inflação e segurança.
Cabe ao cidadão brasileiro avaliar o que está em jogo, analisar os projetos apresentados e decidir qual caminho quer para o país nos próximos anos. A América Latina já está mudando. O Brasil pode ou não seguir essa onda. A resposta estará nas urnas, na consciência de cada um de nós.
Ale Chianelli
Jornalista independente, escritora e correspondente internacional. Escreve sobre política, liberdade, antissemitismo e os conflitos que moldam o século XXI. Esteve em Israel durante a guerra contra o Hamas e acredita que o papel do jornalismo não é confirmar convicções, mas confrontá las com a realidade dos fatos. Em tempos em que ideologias frequentemente ocupam o lugar dos fatos, escolheu fazer do jornalismo um compromisso com a verdade.