As vozes que o tempo vai silenciando

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A morte de Peppino di Capri e Bonnie Tyler nos lembra que uma geração inteira está, pouco a pouco, deixando o palco.

Há momentos em que uma notícia ultrapassa a simples informação e desperta algo muito mais profundo.

A morte de Peppino di Capri, um dos maiores ícones da música italiana, poucos dias depois da despedida de Bonnie Tyler, voz inconfundível que embalou gerações com sucessos inesquecíveis, fez muita gente perceber uma realidade que costuma passar despercebida no ritmo acelerado da vida: os nossos ídolos também envelhecem.

Durante décadas eles pareceram eternos. Estavam presentes nas rádios, nos discos de vinil, nas fitas cassete, nos aparelhos de som das festas de família, nas novelas, nas serenatas, nos bailes e até nos primeiros CDs que muitos de nós compramos.

Cantavam para os nossos pais. Depois passaram a cantar para nós. Hoje, muitos já cantam apenas em nossas lembranças.

Talvez seja esse o maior sinal de que o tempo não passou apenas para eles. Passou para todos nós.

OS BEATLES

Provavelmente nenhuma banda modificou tanto a música popular quanto os Beatles. Hoje, restam apenas dois integrantes vivos. Ainda entre nós.

Paul McCartney
Ringo Starr

Já partiram:

 John Lennon (1980)
 George Harrison (2001)

Mesmo após mais de meio século do fim da banda, suas músicas continuam sendo descobertas por jovens que sequer haviam nascido quando "Hey Jude" ou "Let It Be" dominaram o mundo.

BEE GEES

Os irmãos Gibb transformaram harmonias vocais em marca registrada. Dos três irmãos, apenas Barry continua vivo.

Ainda entre nós

Barry Gibb

Já partiram

Maurice Gibb (2003)
Robin Gibb (2012)

Canções como How Deep Is Your Love, Words, Massachusetts e Stayin' Alive permanecem entre as mais executadas da história.

QUEEN

Freddie Mercury tornou-se praticamente sinônimo da própria banda.

Ainda entre nós

Brian May
Roger Taylor
John Deacon

Já partiu

Freddie Mercury (1991)

Sua voz continua sendo considerada uma das maiores já registradas pela música.

ROLLING STONES

A banda continua excursionando, desafiando o próprio tempo.

Ainda entre nós:

Mick Jagger
Keith Richards
Ronnie Wood

Já partiram:

Brian Jones (1969)
Charlie Watts (2021)

PINK FLOYD

Os mestres do rock progressivo também perderam parte de sua formação.

Ainda entre nós:

David Gilmour
Roger Waters
Nick Mason

Já partiu:

Richard Wright (2008)

CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL 

Uma das bandas que melhor retratou a alma americana.

Ainda entre nós:

John Fogerty
Stu Cook
Doug Clifford

Já partiu:

Tom Fogerty (1990)

BEACH BOYS

As praias da Califórnia jamais serão lembradas sem suas músicas.

Ainda entre nós:

Mike Love
Al Jardine
Bruce Johnston

Já partiram:

Brian Wilson (2026)
Carl Wilson (1998)
Dennis Wilson (1983)

ABBA

Um caso raro. Todos continuam vivos.

Agnetha Fältskog
Björn Ulvaeus
Benny Andersson
Anni-Frid Lyngstad

Mesmo décadas após o auge da carreira, continuam despertando admiração em diferentes gerações.

OUTROS GIGANTES QUE AINDA CONTINUAM ENTRE NÓS

Ainda podemos agradecer por termos vivos artistas que ajudaram a construir a história da música mundial.

Entre eles:

Paul Anka
Neil Diamond
Tom Jones
Cliff Richard
Julio Iglesias
Roberto Carlos
Elton John
Rod Stewart
Eric Clapton
Dionne Warwick

Cada um deles representa um capítulo inteiro da história da música.

MUITO MAIS DO QUE ARTISTAS

Talvez a maior tristeza não seja perceber que eles estão partindo. A maior tristeza é compreender que, junto com eles, também vai embora uma época.

Uma época em que famílias ouviam música reunidas. Em que os discos eram passados de mão em mão. Em que uma canção podia permanecer meses no rádio sem cansar.

Em que artistas construíam carreiras durante décadas, e não apenas durante alguns meses de sucesso nas redes sociais.

O TEMPO NÃO LEVA A MÚSICA

Peppino di Capri se foi. Bonnie Tyler também encerrou sua caminhada.

Outros grandes nomes já deixaram os palcos para sempre, e hoje cantam e tocam suas músicas em um palco de LUZ..

E muitos daqueles que ainda permanecem entre nós já ultrapassaram os oitenta anos. Mas existe uma diferença entre desaparecer e permanecer.

O ser humano parte. A arte permanece.

Talvez por isso ainda nos emocionemos ao ouvir Yesterday, How Deep Is Your Love, Bohemian Rhapsody, Wish You Were Here, Proud Mary, Mamma Mia, Champagne, Total Eclipse of the Heart ou Detalhes.

Essas músicas já não pertencem aos seus autores. Pertencem à humanidade.

E talvez esse seja o maior privilégio que um artista possa conquistar.

Ter a própria voz silenciada pelo tempo... mas continuar falando ao coração de milhões de pessoas para sempre.

da Redação
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