A última fortaleza: Quando a família deixar de ser o pilar principal quem a substituirá?

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Há uma antiga lição que atravessa os séculos.

Nenhum povo perde sua identidade da noite para o dia. Nenhuma nação muda seus valores de uma única vez.

Toda grande transformação começa silenciosamente.

Imagine uma árvore centenária.

Quem deseja derrubá-la não precisa cortar todos os galhos. Basta atacar suas raízes. Durante algum tempo nada parece acontecer. A copa continua verde. Os pássaros continuam pousando sobre ela.

Mas, por dentro, a madeira já está enfraquecida. Um dia, basta um vento mais forte para que tudo venha ao chão.

Uma sociedade funciona da mesma maneira. Sua raiz sempre foi a família.

Uma casa não desaba porque uma parede rachou. Ela desaba quando seus alicerces deixam de sustentar seu peso.

A família continua sendo esse alicerce, esse pilar.

É dentro de casa que uma criança aprende o que é respeito, responsabilidade, honestidade, disciplina, fé, amor ao próximo e convivência. A escola pode complementar esse aprendizado.

O Estado pode oferecer serviços. A universidade pode transmitir conhecimento. Mas nenhum deles substitui a família.

Talvez seja justamente por isso que tantos debates culturais e políticos tenham como centro a educação das novas gerações.

Ao longo das últimas décadas, muitos brasileiros passaram a perceber mudanças profundas na forma como determinados temas são tratados em parte das escolas, universidades, meios culturais e espaços públicos. Para alguns, trata-se de uma evolução natural da sociedade e da ampliação de direitos. Para outros, essas mudanças representam um afastamento dos valores tradicionais que sustentaram o país por gerações.

Independentemente da posição de cada um, é difícil negar que essa disputa existe. A pergunta é simples.

Quem está formando a cabeça das crianças brasileiras?

Quando um filho passa milhares de horas na escola durante sua formação, ele não aprende apenas português, matemática ou ciências. Aprende também maneiras de interpretar o mundo, de enxergar a família, a religião, a autoridade, a liberdade e a própria sociedade.

É por isso que tantos pais desejam acompanhar de perto aquilo que seus filhos aprendem enquanto outros tantos insistem em agregar informações degradantes para as crianças.

E esses pais acompanham não porque tenham medo do conhecimento, mas porque entendem que educar não significa apenas transmitir informações. Significa também formar valores.

Em diversos momentos surgem discussões sobre identidade de gênero, sexualidade, religião, história e costumes dentro do ambiente escolar. Para uns, esses temas ampliam o respeito à diversidade. Para outros, determinados conteúdos deveriam ser tratados prioritariamente pelas famílias, conforme suas convicções.

Essa divergência merece ser debatida com serenidade, porque envolve direitos, responsabilidades e o papel de cada instituição na formação das novas gerações.

Nas universidades, a situação também desperta discussões.

Há instituições reconhecidas pela excelência acadêmica e pela pluralidade de ideias. Em outras, porém, críticos apontam que o ambiente político acaba ocupando espaço que deveria ser destinado ao debate intelectual aberto, com manifestações, paralisações e episódios que dificultam a convivência entre diferentes posições.

Uma universidade forte não é aquela onde todos pensam igual. É aquela onde todos podem pensar diferente sem medo.

Outro pilar importante é a fé.

Durante séculos, igrejas, templos e comunidades religiosas ajudaram famílias em momentos de sofrimento, pobreza, dependência química, violência e abandono.

Ao mesmo tempo, vivemos uma sociedade cada vez mais plural, na qual diferentes crenças — e também a ausência de crença — convivem. O desafio permanente é garantir que essa diversidade não se transforme em hostilidade contra quem professa uma religião ou contra quem pensa de outra forma.

A liberdade também ocupa lugar central nesse debate.

Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a discussões intensas sobre liberdade de expressão, combate à desinformação, decisões judiciais envolvendo redes sociais e os limites da manifestação pública.

Encontrar o equilíbrio entre proteger a democracia e preservar o direito de opinião é um dos maiores desafios de qualquer sociedade livre.

Esse debate permanece aberto.

E quem educa uma geração ajudará a escrever a história da próxima.

Jayme Rizolli

Jornalista.

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