Quando questionar passou a ser proibido

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Durante anos, qualquer cidadão que ousasse levantar dúvidas sobre sistemas eletrônicos de votação passou a correr um risco imediato: ser rotulado como conspiracionista, negacionista ou inimigo da democracia.

A simples palavra "auditoria" tornou-se, em muitos ambientes, quase um crime de opinião.

Mas os acontecimentos desta semana nos Estados Unidos colocaram um ingrediente novo nessa discussão.

O presidente Donald Trump anunciou a desclassificação de documentos produzidos pela CIA envolvendo estudos sobre vulnerabilidades em sistemas eletrônicos de votação e sobre métodos atribuídos ao regime venezuelano para alterar resultados eleitorais por meios tecnológicos.

Segundo Trump, esse material demonstra que existia conhecimento acumulado dentro da inteligência americana acerca de técnicas capazes de interferir em processos eleitorais eletrônicos.

É importante registrar que a divulgação desses documentos não encerra o debate.

Os próprios relatórios apresentam limitações e não constituem prova definitiva de fraude em eleições específicas nem em outros países.

Mas há uma pergunta que permanece.

Se uma das maiores agências de inteligência do planeta dedicou anos estudando essas possibilidades, por que em determinados países qualquer discussão semelhante passou a ser tratada como tabu?

Essa talvez seja a questão mais importante de todas.

Não se trata apenas da Venezuela.

A Smartmatic, empresa nascida na Venezuela e frequentemente citada nos debates internacionais sobre tecnologia eleitoral, voltou ao centro das discussões após aparecer mencionada no material divulgado pela Casa Branca.

Independentemente das conclusões jurídicas que venham a surgir, o simples fato de documentos oficiais tratarem do tema demonstra que a discussão nunca foi fruto apenas de teorias espalhadas na internet.

Notadamente porque a própria inteligência norte-americana considerou o tema suficientemente relevante para produzir análises técnicas sobre sistemas eletrônicos de votação e suas vulnerabilidades.

Esse fato, por si só, demonstra que discutir mecanismos de auditoria e transparência não deveria ser tratado como afronta à democracia, mas como instrumento para fortalecê-la.

Democracias maduras não têm medo de auditorias. Elas as incentivam.

Auditar um sistema não significa acusá-lo de fraude. Significa justamente fortalecer sua credibilidade.

Nenhum banco se recusa a ser auditado. Nenhuma grande empresa considera ofensiva uma fiscalização externa. Nenhum laboratório sério rejeita a revisão de seus procedimentos.

Por que seria diferente com eleições?

Foto de Jayme Rizolli

Jayme Rizolli

Jornalista.

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