Daniel Ortega, há 19 anos no poder, anuncia novas leis para impedir retorno da oposição ao país

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O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, que governa o país há 19 anos, afirmou que pretende criar novas leis para impedir que a oposição volte ao poder. A declaração foi feita durante um evento em Manágua que marcou os 47 anos da Revolução Sandinista.

Durante o discurso, Ortega disse a seus apoiadores que as eleições não devem ser usadas para promover mudanças políticas no país e afirmou que seu governo vai trabalhar para evitar que antigos adversários assumam o comando da Nicarágua.

“Não haverá mais eleições aqui para que eles possam tentar tomar o governo, tomar o poder”, declarou o líder sandinista.

As declarações do ditador nicaraguense provocaram reações dentro e fora do país. Organizações internacionais e grupos de oposição acusam Ortega de concentrar poder, limitar a participação política e enfraquecer as instituições democráticas.

Ortega também defendeu a atuação das forças de segurança durante os protestos de 2018, que deixaram dezenas de mortos e agravaram a crise política na Nicarágua. O governo afirma que enfrentou uma tentativa de golpe, enquanto entidades internacionais denunciaram ações repressivas contra manifestantes e opositores.

No poder desde 2007, Ortega disse que pretende atuar com a Assembleia Nacional e aliados para criar novas regras que dificultem o retorno de seus adversários políticos. As declarações acontecem após uma reforma constitucional aprovada em 2025, que ampliou os poderes do Executivo, criou o cargo de “copresidente” para Rosario Murillo, esposa de Ortega, e alterou a estrutura do Estado.

As mudanças receberam críticas da ONU, da Organização dos Estados Americanos (OEA), dos Estados Unidos e do Parlamento Europeu, que apontaram preocupações sobre o enfraquecimento das instituições democráticas no país.

Com a nova estrutura constitucional, as eleições gerais previstas para 2026 foram adiadas e podem ser realizadas apenas em 2027, segundo o novo calendário estabelecido pelo governo.

Yan Gabriel

Acadêmico de Jornalismo.

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