Política de Bravatas: Nova York está imitando o Brasil?
21/07/2026 às 21:18 Opinião
Por ser o centro mundial do capitalismo, Nova York foi atacada em 2001 quando radicais muçulmanos destruíram o World Trade Center (Torres Gêmeas) matando quase 3.000 pessoas. Foi o maior atentado terrorista na história dos EUA.
Apenas uma geração depois, a cidade de Nova York supreendentemente elege um prefeito comunista, populista e muçulmano. A princípio não tenho nada contra muçulmanos moderados, mas Zohran Mamdani é um radical que se alinha com a visão crítica da esquerda sobre o Ocidente, despreza o capitalismo e seus empresários, ataca tradicionais aliados políticos dos EUA como Israel e faz promessas que não pode cumprir. Mamdani fez um discurso por ocasião do 250º aniversário da independência dos EUA criticando duramente as políticas e os valores americanos.
Já vimos esse filme antes. A cartilha da esquerda sempre segue o mesmo roteiro. Mamdani prometeu ônibus grátis, mas o preço das passagens subiu. Ele prometeu aumentar impostos para os ricos, mas o governo do estado de Nova York se recusou a aprovar. Além disso, segundo o New York Post, a cidade já perdeu cerca de 11 bilhões de dólares em impostos porque as empresas estão se mudando para a Flórida e o Texas.
No Brasil acontece a mesma coisa: empresas brasileiras estão indo para o Paraguai para fugir do caos econômico e pagar menos impostos abusivos. Como dizia Margaret Thatcher, ex-Primeira-Ministra do Reino Unido: “O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros.” A preocupação em redistribuir riqueza não pode ignorar estratégias e incentivos para produzir riqueza. Por causa desse erro, 47 países já tentaram o comunismo e fracassaram. Não estou criticando intenções, mas resultados.
Agora o Prefeito Mamdani inventou uma novidade: ele disse que vai estudar a possibilidade de prender o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu quando ele vier para a Assembleia Geral da ONU em Nova York em setembro.
Mamdani citou o mandado de prisão pendente do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro israelense. Mas há vários problemas com a atuação do TPI, o qual está sendo acusado de manipulação política. Na sequência, o governo Trump promulgou a Ordem Executiva 14203, incluindo o Procurador-Chefe Karim Khan, procuradores adjuntos e vários juízes do TPI em uma lista negra. Além disso, Karim Khan foi acusado de má conduta sexual e abuso de autoridade por uma funcionária do TPI. Ele foi suspenso do cargo enquanto aguarda o processo disciplinar, e os Estados-membros do tribunal devem votar sobre sua possível demissão.
Especialistas jurídicos e diplomatas rejeitaram amplamente as ameaças do Prefeito Mamdani como politicamente impossíveis. Os Estados Unidos não reconhecem o TPI, e chefes de Estado visitantes que participam da Assembleia Geral das Nações Unidas são protegidos por imunidade diplomática e pelas autoridades federais americanas.
O governo de Israel rejeitou o mandado do TPI como "falso" e classificou os esforços de Mamdani como "teatro político". Netanyahu também alegou que Mamdani apoia o Hamas, acusação que o prefeito nega. Além disso, o presidente Donald Trump e autoridades federais garantiram publicamente que Netanyahu não será preso em solo americano, anulando a posição do prefeito.
O cenário seria absurdo: imaginem a polícia de Nova York tentando invadir a ONU contra a vontade do Comandante em Chefe das Forças Armadas Americanas (Trump), para prender um Primeiro Ministro estrangeiro ali dentro.
Além disso, as Nações Unidas não têm autoridade nem força policial para prender um chefe de Estado em suas instalações.
A ONU é uma organização internacional, não um Estado soberano nem uma agência policial global. Para que a ONU pudesse funcionar nos EUA houve um Acordo assinado em 1947 entre os Estados Unidos e as Nações Unidas. Nos termos desse acordo, as instalações da ONU são invioláveis e protegidas da interferência da polícia local.
A ONU depende inteiramente dos países anfitriões (como os EUA) para fazer cumprir as leis e executar mandados. Além disso, de acordo com o direito internacional consuetudinário (estabelecido pela prática), os chefes de Estado em exercício gozam de imunidade absoluta contra prisão e processo enquanto estiverem no cargo.
Conclusão: por um lado, Mamdani parece ter conseguido o que queria. Toda a mídia americana está dando cobertura às suas bravatas. Por outro lado, agindo como um típico político populista, ele utiliza o mais velho truque da História: chama atenção para problemas externos para desviar atenção dos problemas internos na cidade de Nova York. No Brasil acontece a mesma coisa.
O destino da política de bravatas é conhecido. Analistas políticos concordam que no final há uma erosão da democracia. A ênfase em ameaças e fortes palavras vazias em detrimento de um processo concreto diminui o respeito pelo Estado de Direito, pelas estruturas internacionais e pelas salvaguardas institucionais.
Os eleitores estão atentos. Uma piada popular que circula em Nova York pergunta: "Qual a diferença entre um ônibus de Nova York e as promessas de campanha do prefeito Mamdani? Um ônibus eventualmente te leva onde você precisa ir — mas demora menos que um político."
Jonas Rabinovitch. Arquiteto urbanista com 30 anos de experiência como Conselheiro Sênior em Inovação, Gestão Pública e Desenvolvimento Urbano da ONU em Nova York.
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da Redação