
Ditador amigo de Lula inicia a extinção de eleições na Nicarágua

22/07/2026 às 21:58 Internacional

O Congresso da Nicarágua deu início nesta quarta-feira (22) aos trabalhos para implementar uma reforma que extingue o processo eleitoral no país. A iniciativa foi anunciada pelo presidente da Assembleia Nacional, Daniel Porras, em cumprimento à determinação feita pelo ditador Daniel Ortega, amigo de Lula, durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista.
Caso a proposta avance conforme o planejado pelo governo, a Nicarágua deixará de realizar eleições presidenciais em 2027, consolidando oficialmente o atual modelo de poder concentrado sob o comando de Ortega.
O ditador nicaraguense, que está no poder desde 2007 e mantém ampla maioria no Parlamento, anunciou no último fim de semana que pretende promover mudanças na legislação para criar, segundo suas palavras, um "muro" contra a oposição política. A declaração ocorreu durante os eventos que marcaram o aniversário da Revolução Sandinista.
A Revolução Sandinista derrubou o regime de Anastasio Somoza em 19 de julho de 1979, encerrando mais de quatro décadas de domínio da família Somoza sobre a Nicarágua. Daniel Ortega participou da liderança do movimento, foi eleito presidente em 1984, deixou o cargo em 1990 e retornou ao poder em 2007, permanecendo na Presidência desde então.
A iniciativa de acabar com as eleições amplia um processo de concentração de poder que já vinha sendo alvo de críticas de organizações internacionais e grupos de oposição. Nos últimos anos, o governo de Daniel Ortega foi acusado de reprimir manifestações populares, prender adversários políticos e provocar o exílio de centenas de milhares de nicaraguenses.
A eleição presidencial realizada em 2021 também foi amplamente contestada por opositores e observadores internacionais, que apontaram denúncias de fraude eleitoral e a prisão de potenciais candidatos antes da votação.
Atualmente, Daniel Ortega e sua esposa exercem forte influência sobre as principais estruturas do Estado, incluindo o Poder Judiciário, as Forças Armadas e demais instituições governamentais.
A decisão de extinguir as eleições provocou reações dentro e fora da Nicarágua. Exilados políticos manifestaram repúdio à medida, enquanto representantes da comunidade internacional demonstraram preocupação com os rumos democráticos do país.
Também nesta quarta-feira (22), o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, defendeu o restabelecimento do Estado de Direito e a realização de eleições livres na Nicarágua. Na véspera, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que os cidadãos nicaraguenses devem preservar o direito de escolher seus governantes por meio do voto.
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