A imprensa que consegue ser visceral e quase sutil ao mesmo tempo

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Fazendo um recorte sobre o jornalismo no Brasil a partir da surpreendente, porém, avassaladora eleição de Jair Bolsonaro para presidente do Brasil, em 2018, muito há de se falar sobre a imprensa.

Todo o contexto histórico sobre a postura da imprensa, desde sempre, pode até ser observado sob o aspecto das oscilações políticas desde ou daquele momento e seus personagens. Mas a partir de 2018, portanto, há quase oito anos, a imprensa, tida como tradicional, sofreu a ruptura daquilo que outrora, de alguma maneira, minimamente preservava a sua credibilidade; a sua existência institucional. 

Essa imprensa se permitiu, abertamente, a se posicionar politicamente, e fez da militância o seu maior trunfo. Seja por questões ideológicas ou econômicas/financeiras, e mesmo que isso custe expor suas vísceras, o certo é que os interesses de grupos são atendidos sem pudores. Essa vulnerabilidade vai lhe custar caro!

Não é imprensa mais. É só impressão sua!

Que nome dar a um grupo de veículos de comunicação que se presta a formar um consórcio para defender políticas públicas carregadas de conveniências? O que dizer de profissionais do jornalismo que saem de casa com o propósito único e exclusivo de defender pautas seletivas   abdicando de sua responsabilidade e profissionalismo? O que dizer de gente que vende gato por lebre?

O padrão da imprensa militante é sempre o mesmo… sutileza, oportunismo e manipulação de massa como finalidade! 

A sutileza da imprensa está ancorada no uso das instituições dos poderes, do governo, e das entidades do Estado, e como mantenedores da falsa credibilidade deste conjunto, se atém apenas sob o rótulo histórico que carregam.

O oportunismo está sempre sob jugo dos interesses do sistema. Os protagonistas, de ambos os lados - imprensa e sistema, não se mantém pelo respeito, mas sim pelo medo. Há uma consciência integrativa da capacidade destruidora das partes. Seria como uma implosão! A subserviência da imprensa e a hipocrisia maquiavélica do sistema são apenas detalhes comportamentais que se aturam. 

A forte habilidade de manipulação de massa que a imprensa (ainda) tem não está exatamente em sua insuspeição e convicções. Ela mora no potencial de expansão que trabalhou durante décadas para atingir cada canto do país. Ainda que a tecnologia e a chegada da comunicação ampla tenham atingido níveis que incomodam, - daí a “briga” pela regulação das redes sociais e da própria internet - leia-se CENSURA (incabível por si só ao ver que a imprensa atua contra sua própria liberdade), sabemos que a “grande mídia” ainda é capaz de penetrar nos lares dos brasileiros com muita força.

É real, e cada vez mais visível, que essa tríade - sutileza, oportunismo e manipulação -, tornam-se uma ferramenta única, amalgamada em si mesma, para atuação contrária ao interesse coletivo.

Para ilustrar, quase desenhando, com o atual momento político, peguemos como exemplo o uso do IBGE e das pesquisas eleitorais sancionadas pelo TSE. A imprensa usa dados destas duas instituições sempre em letras garrafais em suas mídias. 

A partir do momento que o atual governo, seu malvadão da vez, é proibido por lei eleitoral de fazer propaganda de suas ações, entra em cena a imprensa com algo mais do que sutil e oportunista. Balançam ao vento do noticiário, números de levantamentos bem ao gosto da sua audiência. As expressões são singulares: “Segundo o IBGE” e “Segundo registrado no TSE”. Pronto, a notícia ganhou grife. E aí vem… o desemprego bate recorde, a inflação cai nos últimos meses, o desmatamento está sob controle, feminicídio é menor nas grandes cidades, taxa da inflação diminuiu, o poder de compra aumentou, candidato A ou B subiu na faixa etária tal ou caiu após denúncia disso ou daquilo, empate técnico é registrado no 1º, mas não no 2º turno, e por aí vai.

O objetivo é alcançar o inconsciente coletivo para o entendimento que o governo vem fazendo sua parte, etc., etc., etc.!Basicamente, a imprensa cumpre um papel para burlar o equilíbrio eleitoral. 

Da mesma maneira, os institutos de pesquisa, que na verdade não passam de empresas comerciais que tem na prateleira a encomenda certa para o freguês, são vendedores de percepção. Além de contar com a astúcia e a estamparia da imprensa, os contratantes interessados buscam aprisionar o eleitor em cumplicidade subjetiva. Sabem que tem aqueles que se deixam levar pela maré, os incautos do puritanismo político (acredite se quiser, mas existem), e ainda buscam consolidar uma parcela significativa de eleitores à ideia que é saudável o afastamento político, abstraindo-os ou mantendo-os, fora da realidade democrática e do comando que o povo tem o direito de exercer. Os que têm consciência política e os doutrinados apenas compõe a receita.

A imprensa deita e rola! E olha que nem falei de dinheiro… precisa?       

Foto de Alexandre Siqueira

Alexandre Siqueira

Vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Independente e Afiliados - AJOIA Brasil - Colunista Jornal da Cidade Online - Autor dos livros Perdeu, Mané! e Jornalismo: a um passo do abismo..., da série Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa! Visite:  http://livrariafactus.com.br

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