
Quando o olhar vem de fora: Como o restante do mundo está enxergando o Brasil...

25/07/2026 às 12:39 Opinião

Durante muito tempo, o debate sobre os rumos da democracia brasileira permaneceu restrito ao próprio Brasil. Críticas ao Supremo Tribunal Federal, ao sistema eleitoral, à liberdade de expressão e ao equilíbrio entre os Poderes eram frequentemente tratadas como disputas exclusivamente internas.
Esse cenário, entretanto, está mudando e rápido.
Um dos mais influentes jornais dos Estados Unidos, o ‘Wall Street Journal’, publicou recentemente um artigo de opinião assinado pela colunista Mary Anastasia O'Grady, no qual são feitas duras críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes e do Supremo Tribunal Federal.
O texto sustenta que o Brasil vive um preocupante processo de concentração de poder no Judiciário. A autora questiona a condução do chamado Inquérito das Fake News, critica decisões envolvendo censura de conteúdos nas redes sociais, investigações conduzidas pelo próprio Supremo e a atuação da Justiça Eleitoral durante as eleições de 2022.
Também compara esse processo ao modelo adotado por governos latino-americanos que, segundo sua análise, consolidaram poder gradualmente por meio das próprias instituições democráticas.
É importante destacar que se trata de um artigo de opinião, refletindo a visão de sua autora, e não de uma reportagem investigativa ou de uma posição institucional do jornal.
Ainda assim, o fato de um veículo de circulação mundial dedicar espaço para discutir a situação institucional brasileira demonstra que o tema ultrapassou as fronteiras nacionais.
Independentemente da posição política de cada leitor, há um dado objetivo que merece reflexão: quando um dos jornais mais influentes do planeta passa a debater o funcionamento das instituições brasileiras, o assunto deixa de ser apenas doméstico.
O Brasil volta a ser observado de perto pelo mundo.
E, quando isso acontece, cresce também a responsabilidade de nossas instituições em demonstrar transparência, respeito às garantias constitucionais e compromisso permanente com a democracia.
Porque a imagem de um país não é construída apenas pelo que ele diz sobre si mesmo.
Ela também é formada pela maneira como o restante do mundo passa a enxergá-lo.
Jayme Rizolli
Jornalista.






