O inegável elo de ligação de Caiado com o governo Lula

Ler na área do assinante

Ronaldo Caiado registra apenas 3% de intenção de voto em pesquisas controversas. Ao escolher como vice Gilberto Kassab, presidente do PSD — partido que integra o atual governo com três ministérios: Minas e Energia, Agricultura e, até recentemente, Pesca e Aquicultura —, o que Caiado propõe não é solução, é persistência do problema.

Kassab também integrou o governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo como secretário de Governo e Relações Institucionais, cargo que ocupou de janeiro de 2023 até março de 2026, quando deixou a função para dedicar-se às articulações eleitorais.

Ou seja, Kassab é o polivalente e onipresente político brasileiro: governo e oposição simultaneamente.

Aqui no Brasil, o clássico lema do anarquismo “Si hay gobierno, soy contra” foi substituído por “Si hay gobierno, soy a favor”. Ou seja, em vez da ausência de Estado, a maioria dos políticos brasileiros é estatista.

Sejamos realistas. Se o establishment apoia desesperadamente a candidatura de qualquer candidato que não seja o indicado de Jair Bolsonaro, sendo a chapa Caiado-Kassab a bola da vez, com o Zema definitivamente descartado após atacar hipocritamente Flávio Bolsonaro, isso é uma confissão bem clara de que só com Flávio Bolsonaro haverá mudança.

Curiosamente, os candidatos que se apresentam como conservadores só atacam Flávio e poupam “Lula”, que — com a suposta oposição claramente atuando a seu favor — já declarou que não participará de debates no primeiro turno das eleições.

Com qualquer candidato eleito que não seja Flávio Bolsonaro, poderemos citar a frase de Alphonse Karr, dita em janeiro de 1849, mas que continuará mais do que nunca atual, caso você não vote 22: “Plus ça change, plus c’est la même chose” — Quanto mais muda, mais tudo permanece igual.

Foto de Lucia Sweet

Lucia Sweet

Jornalista

Ler comentários e comentar