Quem não deve, não teme: Itamaraty nega vistos a representantes americanos

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A decisão do governo brasileiro de negar vistos a dois representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos abriu um debate que vai muito além da diplomacia.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional e posteriormente confirmadas pelo Itamaraty, os diplomatas norte-americanos pretendiam viajar ao Brasil em uma missão relacionada ao processo eleitoral.

O governo brasileiro considerou a iniciativa incompatível com sua política externa e rejeitou a entrada dos representantes.

Independentemente das justificativas apresentadas por cada lado, uma pergunta inevitavelmente surge.

Se tudo está absolutamente seguro, por que tanto receio de questionamentos?

Nenhum país soberano é obrigado a aceitar missões estrangeiras que considere inadequadas. Esse é um direito legítimo de qualquer nação.

Mas também é legítimo que a sociedade faça perguntas quando um tema desperta tanta preocupação.

A transparência nunca deveria ser vista como ameaça. Pelo contrário.

Ela fortalece instituições, reduz desconfianças e amplia a confiança da população.

Há ainda um aspecto que merece reflexão.

Em uma democracia, decisões tomadas por órgãos de governo não devem ser automaticamente confundidas com a vontade do povo brasileiro.

O Itamaraty representa oficialmente o Estado nas relações internacionais, mas suas decisões refletem a condução do governo de turno e podem ser objeto de concordância ou discordância por parte da sociedade.

Da mesma forma, outras decisões de grande impacto para o país, por vezes tomadas por um único agente público ou por um número reduzido de autoridades, acabam produzindo efeitos sobre toda a nação.

Essa é uma realidade institucional que torna ainda mais importante o debate público, a transparência e a fiscalização dos atos praticados em nome do Estado.

Em qualquer área da vida, quem administra recursos públicos, conduz processos ou exerce funções de interesse coletivo sabe que prestar esclarecimentos faz parte da responsabilidade do cargo.

Isso vale para governos, tribunais, empresas e organizações.

Vale também para processos eleitorais.

Questionar não significa condenar. Fiscalizar não significa acusar.

Pedir explicações não significa afirmar que houve irregularidades. Ao contrário.

Uma democracia sólida não teme perguntas. Ela responde às perguntas.

Existe um velho princípio que atravessa gerações e continua extremamente atual: QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME

A melhor resposta para qualquer suspeita nunca é o silêncio. É a transparência.

Porque confiança não se impõe por decreto.

Confiança se conquista quando as instituições demonstram segurança suficiente para enfrentar questionamentos com fatos, documentos e explicações claras.

No fim, a maior vitória de uma democracia não é impedir perguntas.

É permitir que elas sejam respondidas de forma aberta, convincente e transparente.

Porque somente assim a confiança deixa de ser um discurso e passa a ser uma certeza compartilhada por toda a sociedade.

Jayme Rizolli

Jornalista.

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