O diário de Fauci: ele enganou o Congresso e contava manchetes enquanto os americanos morriam
28/07/2026 às 09:18 Opinião
A militância de redação brasileira não deu uma linha sobre o escândalo que tomou as redes nos EUA no fim de semana.
No sábado, 25 de julho, o senador Rand Paul, presidente da Comissão de Segurança Interna do Senado americano, tornou público o diário pessoal de Anthony Fauci: 1.140 páginas, de dezembro de 2019 a dezembro de 2022. Fauci foi o homem por trás dos lockdowns, do fechamento de escolas e da pressão pela vacinação obrigatória nos Estados Unidos.
O diário foi descoberto pela investigação do Congresso sobre a resposta americana à pandemia, e agora Fauci está intimado a depor sob juramento na quarta-feira.
O que as páginas mostram, primeiro, é um homem mais interessado na própria fama do que nos mortos. Ele registra as capas que ganhou, os perfis elogiosos, as bonecas com o seu rosto, a cerveja com o seu nome. Em 21 de maio de 2020, escreveu que não era exagero dizer que era a pessoa mais famosa e comentada do país. Americanos morriam sozinhos em hospitais, idosos morriam sem ver a família. E ele contava manchetes.
Mas o narcisismo é o menor dos problemas. O diário mostra que Fauci mentiu. Ao público e ao Congresso.
Em 26 de janeiro de 2020, ele já anotava que o mercado de Wuhan não era a fonte do vírus, apenas o amplificador. Em 1º de fevereiro, numa conferência com doze cientistas, apenas dois defenderam a origem natural do vírus. Nas palavras do próprio Fauci, o restante achava que a inserção deliberada era possível (ou seja, a manipulação do vírus em laboratório, para deixá-lo mais transmissível). Ele registrou que Zheng-Li Shi trabalhava havia anos com ganho de função em coronavírus em Wuhan e escreveu: "não podíamos simplesmente ignorar aquilo".
Três dias depois, quatro daqueles cientistas circulavam o rascunho do "Proximal Origin", o paper que declarou implausível qualquer cenário de origem laboratorial. O mesmo paper que Fauci passou anos citando publicamente como ciência independente, e que serviu de carimbo para tratar a hipótese laboratorial como "teoria da conspiração".
O motivo não é mistério. O laboratório de Wuhan recebeu dinheiro americano por meio de um subcontrato da EcoHealth Alliance, financiada pelo instituto que o próprio Fauci presidia. Quem investiga a origem do vírus acaba investigando quem pagou a conta.
E mentiu também sobre a letalidade. Em 8 de fevereiro de 2020, anotou no diário que a taxa de mortalidade era mais próxima de 0,2% a 0,3% do que de 2%. Vinte dias depois, em editorial assinado com Lane e Redfield no New England Journal of Medicine, escreveu que a taxa poderia ser "considerably less than 1%". Em 11 de março, diante do Congresso, disse que a mortalidade ficaria em torno de 1%, dez vezes a da gripe sazonal.
Três a cinco vezes o número que ele mesmo tinha escrito em particular. Foi com esse número inflado que se fechou escola, se fechou comércio e se destruiu a vida de milhões de pessoas.
Paul acusa ainda Fauci de ter orientado subordinados a destruir registros federais.
A imprensa continua tratando Fauci como divindade inquestionável. O diário o coloca em terreno criminal.
Biden entendeu isso antes de todo mundo. Em 20 de janeiro de 2025, nos minutos finais do mandato, assinou um perdão preventivo cobrindo qualquer crime federal cometido por Fauci de 1º de janeiro de 2014 até aquela data.
Ninguém perdoa preventivamente quem não tem o que esconder, e o diário deixa isso claro.
Leandro Ruschel.
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da Redação