Quando as próprias atletas pedem para ser ouvidas: Sexo biológico não se discute
01/08/2026 às 07:14 Opinião
Durante muito tempo, o debate sobre a participação de homens biológicos em competições femininas ficou restrito aos parlamentos, aos tribunais e às redes sociais.
Agora, cada vez mais, ele está sendo levado para dentro das quadras.
Foi exatamente isso que aconteceu na WNBA.
Após uma sequência de jogadas duras envolvendo Caitlin Clark, a jogadora Sophie Cunningham chamou a atenção do mundo ao sair em defesa da companheira de equipe. Em um dos momentos mais comentados da partida, ela apontou o dedo em direção às adversárias durante a confusão, numa imagem que rapidamente se espalhou pelas redes sociais.
O gesto acabou se transformando em um símbolo para muitos daqueles que defendem mudanças nas regras do esporte feminino.
Mas o episódio não terminou ali.
Dias depois, Sophie Cunningham reafirmou publicamente uma posição que já havia manifestado anteriormente.
Ela declarou que não odeia pessoas trans, mas afirmou acreditar que meninas e mulheres não deveriam competir contra homens biológicos nas categorias femininas e que deseja proteger o esporte feminino e os vestiários das atletas.
Concordar ou discordar dessa posição é um direito de cada cidadão.
O que não pode ser ignorado é outro fato.
Cada vez mais mulheres que vivem o esporte profissional estão pedindo espaço para participar desse debate.
Durante anos, muitas dessas atletas permaneceram em silêncio, seja por receio da repercussão, seja pelo ambiente de forte polarização que envolve o tema.
Hoje, algumas decidiram falar. Não é mais apenas um debate político.
É um debate esportivo.
É um debate de quem treina diariamente, disputa campeonatos, convive nos vestiários e conhece de perto os desafios da competição de alto rendimento.
Outro episódio chamou atenção após a repercussão da entrevista: um modelo de tênis lançado pela Adidas em parceria com Sophie Cunningham esgotou rapidamente. Embora não seja possível afirmar que isso ocorreu exclusivamente por causa de suas declarações, é inegável que sua visibilidade cresceu significativamente nas últimas semanas.
Independentemente da posição ideológica de cada leitor, existe um princípio que merece reflexão.
Uma democracia saudável não é aquela em que todos pensam igual.
É aquela em que pessoas com opiniões diferentes conseguem expressá-las sem serem automaticamente reduzidas a rótulos.
No fim das contas, o esporte feminino talvez esteja enviando um recado que vai muito além das quadras.
As próprias atletas desejam participar das decisões que moldarão o futuro de suas competições.
E suas vozes também merecem ser ouvidas.
Jayme Rizolli
Jornalista.