
Advogado de Lulinha se manifesta após Mendonça autorizar inquérito

01/08/2026 às 13:35 Direito e Justiça

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, afirmou que a nova investigação conduzida pela Polícia Federal possui indícios de "instrumentalização política". O inquérito foi autorizado na quinta-feira (30/7) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo negócios ligados à cannabis medicinal.
Em entrevista concedida nesta sexta-feira (31/7), o advogado Guilherme Suguimori declarou que a investigação estaria sendo direcionada ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em busca de qualquer elemento que pudesse fundamentar uma acusação.
"É um indicativo de que o Estado está instrumentalizando uma investigação […] se há uma pesca probatória focada em um indivíduo que é filho do presidente que vai correr nas próximas eleições, a primeira coisa que eu desconfio é de instrumentalização política", declarou.
Segundo o defensor, também existe preocupação com possíveis vazamentos de informações da investigação, que, na avaliação dele, poderiam provocar desgaste à imagem pública de Lulinha e influenciar o ambiente político às vésperas das eleições presidenciais.
Ainda de acordo com Suguimori, não existe qualquer vínculo entre seu cliente e as fraudes investigadas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O advogado afirmou que conteúdos divulgados nas redes sociais têm associado indevidamente o empresário ao esquema envolvendo descontos ilegais em benefícios previdenciários.
"Isso aqui não tem nada a ver com o INSS. É o que eu digo desde o começo: que o Fábio nunca teve ligação com o INSS […] Eu cheguei a ver vídeo de IA dizendo: 'Olha, o Fábio roubou dinheiro do INSS dos pobres velhinhos'… imputando a ele como se ele estivesse participando da fraude do INSS, que não era nem uma hipótese do próprio inquérito", destacou.
O advogado também comentou a possibilidade de questionar a competência do Supremo Tribunal Federal para conduzir o caso. Segundo ele, a defesa pretende analisar se há fundamento jurídico para que a investigação permaneça na Corte.
"Não é que nós vamos tentar tirar isso do STF, o que eu estou dizendo é que essa é a primeira coisa que me veio à mente: a competência do STF tem que ser justificada e eu gostaria de entender por quê", afirma.
Conforme explicou Suguimori, caso não exista uma justificativa legal adequada para a atuação do STF, a investigação deverá ser remetida ao órgão competente. Ele ressaltou, entretanto, que essa avaliação ainda depende da análise completa dos autos do processo.
A investigação autorizada pelo ministro André Mendonça busca esclarecer suspeitas de que Lulinha teria cometido crimes de corrupção e tráfico de influência em negociações envolvendo o Ministério da Saúde e projetos relacionados à cannabis medicinal.
A Polícia Federal apura se o empresário teria utilizado sua condição de filho do presidente da República para facilitar interesses comerciais de Roberta Luchsinger, proprietária de uma empresa de consultoria, e do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", em tratativas com o Ministério da Saúde.
Antônio Camilo Antunes é apontado pelos investigadores como personagem central das apurações sobre descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS e permanece preso no âmbito dessa investigação.
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