
Esposa de homem de confiança do CV é presa no aeroporto após retornar da Europa

02/08/2026 às 17:20 Direito e Justiça

Uma mulher de 31 anos investigada por integrar uma organização criminosa e atuar na lavagem de dinheiro foi presa na madrugada de sexta-feira (31/7), logo após desembarcar no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande (MT). Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso (PCMT), ela é esposa de um homem apontado como braço financeiro e pessoa de confiança de uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV).
A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido no âmbito da Operação Replay. Como a investigada estava em viagem pela Europa durante a deflagração da operação, realizada na quinta-feira (30/7), a ordem judicial foi executada imediatamente após seu retorno ao Brasil.
A ação foi realizada por policiais da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com apoio da Polícia Federal.
De acordo com as investigações, a mulher é suspeita de participar do esquema de ocultação e dissimulação de recursos obtidos por meio das atividades ilícitas da organização criminosa. Conforme a Polícia Civil, apesar de não possuir renda formal compatível com o patrimônio movimentado, ela realizava operações financeiras de alto valor em diversas contas bancárias.
As apurações também indicam que contas registradas em nome de terceiros eram utilizadas para dificultar o rastreamento do dinheiro e esconder a origem dos recursos, prática frequentemente associada a esquemas de lavagem de capitais.
A Operação Replay é considerada um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, as investigações revelaram uma estrutura organizada de divisão de tarefas entre os integrantes da facção, incluindo o uso de pessoas interpostas para registrar bens e movimentar recursos financeiros.
Ainda conforme a corporação, imóveis e veículos eram adquiridos em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível, com o objetivo de ocultar o verdadeiro patrimônio da organização criminosa e dificultar a identificação dos bens pelas autoridades.
As medidas patrimoniais autorizadas pela Justiça alcançam aproximadamente R$ 17,28 milhões em imóveis e veículos, entre eles apartamentos, casas de alto padrão localizadas em Mato Grosso e Santa Catarina, além de terrenos e automóveis.
A decisão judicial também determinou o bloqueio de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros, montante equivalente à movimentação considerada suspeita identificada durante o curso das investigações.
Outro ponto destacado pela Polícia Civil é que um dos investigados continuava exercendo influência sobre parte das atividades da organização criminosa mesmo estando custodiado em uma unidade de segurança máxima do sistema penitenciário de Mato Grosso, fato que também integra o conjunto de provas reunidas durante a apuração.
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